Correção: advogado de Delcídio no processo de cassação se diz surpreso

Brasília, 03 - A nota enviada anteriormente contém uma incorreção. O advogado Maurício Leite não coordena mais a defesa do senador Delcídio Amaral no STF. Seu trabalho foi concluído no dia em que Delcídio foi solto, em 19 de fevereiro. Segue o texto corrigido:

O advogado responsável pela defesa do senador Delcídio Amaral em seu processo de cassação no Senado, Gilson Dipp, afirmou não saber da existência de uma delação e se demonstrou incomodado com a notícia. "É novidade para mim, senão eu não estaria brigando tanto na defesa. Como que eu ia perder tempo assim no Senado?", indagou.

Segundo o advogado, ele recebeu a informação pela imprensa. "Estou tão surpreso quanto vocês. Nunca me foi informado nada, até para que eu tivesse uma linha de defesa", afirmou.

Dipp, que foi ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), é responsável pela defesa de Delcídio no processo em que ele responde no Senado por quebra de decoro parlamentar, e que pode levar à cassação de seu mandato.

No âmbito do STF, a defesa foi coordenada pelo advogado Maurício Leite, que concluiu o trabalho com a aceitação do agravo regimental e a saída de Delcídio da prisão, em 19 de fevereiro. Figueiredo Basto é o advogado responsável por delações premiadas e já atuou na defesa de outros investigados pela Lava Jato que colaboraram com as investigações.

Dipp concordou com avaliação do relator do processo, senador Telmário Mota (PDT-RR), de que a suposta delação é um complicador para o caso de quebra de decoro no Senado. "Evidentemente acelera o processo", concordou.

Insatisfação

O advogado não soube explicar como os novos fatos podem modificar a estratégia da defesa."Não sei nem o que vai ser feito, como vai ser feito e por quem vai ser feito. Pelo que eu li, já tem várias declarações. Vou me informar direito e tomar uma decisão, que pode ser não apenas de ordem jurídica, entendeu?", disse.

Quando questionado sobre o que seriam estas decisões de ordem não-jurídica, Dipp afirmou que vai avaliar toda a situação "em termos gerais, amplos, muito amplos".

Apesar de demonstrar insatisfação com a situação, o advogado negou que vá deixar o caso. "Não posso dizer isso agora. Mas vou ver o que aconteceu, como aconteceu e avaliar em termos de defesa."

Na manhã desta quinta-feira, 3, a revista IstoÉ publicou reportagem em que revela trechos de suposta delação premiada do senador Delcídio Amaral, que foi preso preventivamente por tentar obstruir investigações da operação Lava Jato.

Segundo a revista, Delcídio teria dito em delação premiada que a presidente Dilma tentou atuar ao menos três vezes para interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário. Na delação, Delcídio teria citado também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e detalhado os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras.

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