Operação Lava Jato

"Delação nos olhos dos outros é pimenta, nos do PT, é refresco", diz Cunha

Em Brasília

  • André Dusek/Estadão Conteúdo

    Cunha disse que identificou "fatos de natureza grave" no depoimento de Delcídio

    Cunha disse que identificou "fatos de natureza grave" no depoimento de Delcídio

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta quinta-feira (3) que "delação nos olhos dos outros é pimenta, nos olhos do PT é refresco", fazendo referência à notícia de que o ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (PT-MS) teria feito acusações contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em acordo de delação premiada.

"Acho graça da posição do PT. Eu gostaria muito de assistir ao discurso do PT depois dessa nova delação. Hoje, eles usam como argumento de defesa aquilo que ontem usaram como ataque contra mim. O PT só é coerente para se defender, já para atacar os outros, aquilo que eles usam para se defender não vale. Então é muito engraçado assistir a isso. Eu fico numa posição privilegiada [no plenário]", afirmou o presidente da Câmara.

Cunha disse que identificou "fatos de natureza grave" no depoimento de Delcídio, mas ponderou dizendo que as informações ainda precisam ser confirmadas.

Ele afirmou que não fará "juízo de valor" das informações antes de ler a reportagem completa da revista "IstoÉ", que trouxe detalhes do acordo de delação premiada em edição antecipada nesta quinta-feira.

Segundo a revista, Delcídio teria acusado Dilma de atuar três vezes para interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário. "É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação", teria afirmado Delcídio na delação, segundo a revista.

Telhado de vidro

Cunha foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em agosto do ano passado por suspeita de receber ao menos US$ 5 milhões em propinas referentes a dois contratos de navios-sonda da Petrobras em 2006 e 2007.

O peemedebista é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

Ontem, seis dos 11 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) votaram favoravelmente à abertura de processo criminal na Corte contra Cunha.

A ação foi baseada principalmente nos depoimentos, feitos sob acordos de colaboração premiada na Lava Jato, de Júlio Camargo e Fernando Soares, o Fernando Baiano.

Veja quais são os pontos mais explosivos da delação de Delcídio

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