Havia câmeras por toda a parte, diz arquiteto do sítio de Atibaia

São Paulo - O arquiteto e urbanista Igenes dos Santos Irigaray Neto, que trabalhou em 2011 nas obras do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), frequentado pelo ex-presidente Lula e sua família, revelou detalhes do local em depoimento ao Ministério Público de São Paulo. Segundo Igaray Neto, o sítio é "totalmente fechado e havia câmeras por toda a parte".

O arquiteto afirmou que "a única pessoa" que autorizava a entrada na propriedade era o caseiro de apelido 'Maradona'.

"O depoente comprava material de construção no depósito Fernão Dias, loja que fica no pé do Morro em que o sítio se localiza, bairro Portão. A comunicação não era direta com o proprietário. Geralmente via telefone, mas também pessoalmente. Falava com vários vendedores. A maioria do material chegava de fora, por exemplo, a estrutura metálica", disse o arquiteto em seu depoimento.

"O depoente se reportava ao caseiro, vulgo 'Maradona'. Tratava-se da única pessoa que o depoente tinha contato. O sítio é totalmente fechado. Havia câmeras por toda a parte e a única pessoa que autorizava a entrada era o caseiro."

Igenes Igaray Neto trabalhava para a empresa Fernandes dos Anjos e Porto Montagem. Em depoimento ao promotor de Justiça Cássio Conserino, o arquiteto afirmou que Fernandes dos Anjos era contratada da Usina São Fernando - ligada ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula.

Bumlai está preso desde 24 de novembro de 2015, quando foi deflagrada a Operação Passe Livre, 21ª fase da Lava Jato.

"O depoente não conhece José Carlos Bumlai. Não tem relação profissional com ele. Sabe dizer que a empresa Fernandes dos Anjos era contratada pela Usina São Fernando para fazer parte da construção da Usina. Interpelado sobre se a Usina São Fernando foi contratada pelo responsável pelo sítio em Atibaia para fazer a ampliação e subcontratou esse serviço a empresa Fernandes dos Anjos, o depoente disse que não tem condições de responder."

O depoimento de Igaray Neto foi tomado em 15 de janeiro de 2016. Segundo ele, "havia a exigência de entregar a obra para o Natal (2011), por isso queriam terminar em 120 dias". O arquiteto afirmou que "não teve contato com nenhum proprietário do sítio" e que não sabia quem utilizaria o mesmo.

O arquiteto foi questionado sobre a identidade do dono do sítio. "Interpelado sobre se o sítio pertenceria a possíveis 'laranjas' ligados ao filho do ex-presidente da República, o depoente disse que não sabe e que tomou contato com essa informação através da mídia. Efetivamente não sabe dizer se Fernando Bittar e Jonas Suassuna constam como proprietários do sítio", aponta o depoimento.

A defesa do ex-presidente afirma que Lula e seus familiares não são proprietários do sítio Santa Bárbara.

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