Artistas do Rio 'driblam' vigias no Metrô

Rio - Todos os dias, o saxofonista argentino radicado no Rio Ale Gomila chega ao metrô disposto a correr. Ele embarca no primeiro vagão, começa a tocar para os passageiros, e, a cada mudança de estação, salta e segue rapidamente para o seguinte. Um dos primeiros músicos a usar os trens como palco em movimento - começou em 2011, quando trocou Buenos Aires pelo Rio -, Gomila tem duas missões: conquistar o seu "público" com as performances de bossa nova e MPB, de modo a merecer gratificações, e também os seguranças que percorrem as estações.

Tocar nos vagões é proibido. "Tem de ser 'ninja', entrar e sair rapidinho. Mas já fui levado até para a delegacia. O delegado falou 'qual a queixa? Algum passageiro reclamou da música?', e me liberou", conta Gomila, que tem 28 anos, dá aulas particulares e toca na rua e em bares.

O Estado vem acompanhando as apresentações de músicos no metrô há meses. O número de artistas aumentou do ano passado para cá, segundo a concessionária Metrô Rio. Anteontem, entre meio-dia e 13 horas, a reportagem contou, em meia hora de viagem na Linha 1, um violinista, um trompetista, um violonista, um percussionista e um flautista, além de Gomila.

"É uma caçada de gato e rato. Eles sabem que não podem tocar, mas insistem. Aí a gente tira da estação, eles pagam a passagem e entram de novo. Não podemos impedir um passageiro de embarcar", contou um segurança. "Perco um quarto do que ganho pagando passagens. Já cheguei a entrar e sair quatro vezes. O segurança te vê indo e voltando, é uma farsa", critica André Beluatti, de 20 anos, que chegou da Argentina com seu trompete há dois meses, para dividir apartamento com um conterrâneo que também se apresenta no metrô ao violão.

A principal razão para a proibição é a segurança, explica o diretor de Operações do Metrô, Daniel Habib, segundo o qual nenhum metrô do mundo permite músicos nos vagões. "É um ambiente confinado, um trem em alta velocidade; no caso de uma frenagem brusca, os músicos podem machucar alguém com seus instrumentos", esclarece, ressaltando ainda que a música impede que se ouçam os avisos sonoros.

Em geral, o público é receptivo à música. Muitos passageiros aplaudem e contribuem com valores entre R$ 1 e R$ 5. Mas nas redes sociais o Metrô recebe reclamações de gente que diz preferir o silêncio. Segundo a empresa, de cada dez menções aos músicos, seis são de insatisfação. "Também não se pode pedir dinheiro", ressaltou Habib. O Metrô lançou como alternativa aos músicos o Palco Carioca, estrutura montada na Carioca, Siqueira Campos e Maria da Graça para apresentações, mediante inscrições prévias.

Boa recepção

Eles podem passar o chapéu, mas não vender seus CDs. "Não vale a pena, o show só pode durar uma hora. Os passageiros não param para ouvir", alega Gomila.

Na Assembleia Legislativa do Rio está em discussão o Projeto de Lei 2.958/2014, que regulamenta a presença dos artistas nos vagões do metrô e dos trens e institui cadastro e gratuidade para eles. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

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