Feira da Madrugada reabre com público escasso

São Paulo - Ainda com pouco público e sob reformas, a Feira da Madrugada, no Brás, zona leste de São Paulo, foi reinaugurada nesta segunda-feira, 7. O espaço, que abriga cerca de 4 mil lojistas, esteve fechado nos últimos dez dias para limpeza e recadastramento dos comerciantes.

A promessa é de que o equipamento, agora sob administração da iniciativa privada pelos próximos 35 anos, se torne uma espécie de incubadora de microempreendedorismo, com capacitação dos vendedores e regularização das barracas. Também está prevista a revitalização do centro de compras da região, com terminal de ônibus e hotéis.

A feira foi assumida pelo consórcio Circuito de Compras São Paulo, que pagou R$ 50 milhões para ter a outorga de concessão do serviço, sob a promessa de entregar um centro de compras de 230 mil metros quadrados com 4 mil boxes, 1,8 mil lojas, quatro praças de alimentação e serviços como bancos, casas lotéricas, posto dos correios, ambulatório, área multiuso para desfiles e até creche gratuita para os filhos dos comerciantes. O local ficará aberto de segunda a sábado, das 2h às 16h, e a expectativa é de que receba um público de, em média, 20 mil pessoas por dia.

Na reinauguração, a feira tinha poucas lojas abertas e alguns comerciantes ainda enfrentavam fila para fazer o recadastramento de seus boxes. Boa parte das galerias passava por pequenas reformas - em alguns corredores, poças d'água se acumulavam por causa da chuva. Muitos vendedores também trabalhavam na limpeza de suas áreas, aproveitando a baixa circulação de clientes.

"Parece que vai melhorar muito. Acho que teremos mais liberdade para anunciar os produtos. Antes não me deixavam nem colocar os itens no corredor para exibir minha loja", contou o comerciante Peres Filho, de 52 anos, dono de um box de calças jeans. "Parece que a segurança melhorou também."

A vendedora Vilma, que não quis identificar o sobrenome, de 55 anos, também espera que a mudança acabe com os irregulares. "Eles fazem muita bagunça", disse. De acordo com ela, outro problema era a de negociação interna de boxes pelos próprios comerciantes, de forma ilegal. Ela reclama ainda da dificuldade de vender produtos por causa da concorrência com ambulantes informais nas calçadas. "O que eu vendo a R$ 12 eles fazem por R$ 8."

Durante a visita da reportagem, foi possível visualizar ao menos dez guardas privados e também ronda de policiais militares. Para ter direito ao espaço, todos pagarão R$ 910 por mês, preço que já havia sido fixado pela Prefeitura e deve ser mantido. Apesar do reforço, foi possível constatar ao menos dois ambulantes irregulares vendendo tênis e acessórios para celular dentro do espaço.

Outra reclamação dos vendedores é da queda de público. A Prefeitura estima que até 50 mil pessoas já passaram diariamente pela feira, número que hoje o consórcio espera ser de 17 mil a 20 mil pessoas por dia. Um dos motivos, segundo comerciantes ouvidos pela reportagem, foi o período em que o local ficou fechado para reformas, em 2013. "Antes eu fazia R$ 4 mil no caixa por dia só à noite.

Agora não dá nem R$ 1 mil", reclamou a aposentada Fátima Pasques, de 60 anos, que trabalha em uma das maiores lanchonetes do espaço.

Revitalização e capacitação. De acordo com um dos sócios do consórcio, Elias Tergilene Pinto Júnior, a proposta do novo formato da feira é regularizar todos - cerca de 1,5 mil estão irregulares e sem permissão para vender no local, segundo estimativa do consórcio. "Queremos transformar o projeto em inclusão social", explicou. De acordo com ele, o consórcio buscará parcerias com a Universidade de São Paulo (USP) e o Sebrae para capacitar os vendedores. "Queremos entender por que eles não estão conseguindo pagar aluguel. O produto é ruim? O atendimento é ruim? Falta treinamento? Aqui o problema não se resolve com polícia", explicou.

Para isso o grupo promete revitalizar todo o entorno do centro de compras do Brás, trazendo os cerca de 6 mil ambulantes das ruas para o centro comercial. Haverá ainda uma interligação de vans para que quem fizer fazer compras possa ir também ao Bom Retiro, Santa Ifigênia e 25 de Março e a instalação de um hotel e outros equipamentos.

A previsão é de que a feira se transforme em um shopping com sete andares, quatro de lojas, dois de estacionamento e um para um terminal de ônibus para os que vêm de outras cidades. O projeto deve ficar pronto em até 18 meses, segundo Tergilene. O prazo máximo é de quatro anos para a finalização da obra.

Justiça

A Prefeitura conseguiu reverter na Justiça Federal uma ação que suspendia a assinatura do contrato de exploração da Feira da Madrugada. Uma das alegações era a de que Tergilene, presidente da empresa líder do consórcio, é réu em uma ação de improbidade administrativa em Manaus (AM), o que o impediria de participar da concorrência. A ação ainda não foi julgada.

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