Divulgação de áudios foi correta, mas pode ser questionada, afirma Mendes

Em São Paulo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    O ministro Gilmar Mendes, do STF

    O ministro Gilmar Mendes, do STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na manhã desta quinta-feira (17), em entrevista à Rádio Estadão, que a divulgação dos grampos dos diálogos do agora ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo uma conversa com a presidente Dilma Rousseff, ocorreu de forma correta porque partiu de um despacho do juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Contudo, Mendes reconheceu que a divulgação pode ser questionada.

Na avaliação do ministro do Supremo, o que tem de se discutir agora é o conteúdo das gravações telefônicas. O diálogo que causou maior impacto foi entre Lula e Dilma, sugerindo que a nomeação do novo ministro-chefe da Casa Civil pode ser uma manobra política para evitar a prisão do petista. Para Gilmar Mendes, "o conteúdo é extremamente grave e sugere o propósito de interferir no funcionamento das instituições".

Na entrevista, o ministro do STF disse que não sabe o que Lula espera dessa corte, mas acredita que o tribunal está cumprindo bem o seu papel, argumentando que isso fica claro com o conteúdo de uma das gravações em que o ex-presidente da República critica o comportamento do Judiciário.

"Os dados revelados mostram que as tentativas de influenciar (a Justiça) foram fracassadas e não exitosas, o que é positivo para as instituições. As reclamações (de Lula) indicam que o tribunal vem cumprindo bem o seu papel e não se tornou uma corte bolivariana", exemplificou.

Gilmar Mendes avalia que a Procuradoria Geral da República (PGR) terá um papel muito importante neste episódio, pois as gravações evidenciam a tentativa de Lula buscar o foro privilegiado para fugir do ele chama de "República de Curitiba". "Janot (Rodrigo Janot, procurador-geral da República) terá de dar uma resposta a isso."

A exemplo da avaliação feita esta semana, também em entrevista à Rádio Estadão, pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello, de que o Supremo não seria benevolente com Lula, Gilmar Mendes também acredita que não haverá benevolências ao novo ministro da Casa Civil. "Já tivemos o mensalão e a postura do tribunal foi exemplar, não espero que haja qualquer medida de benevolência."

Ao citar o mensalão, Mendes disse que neste escândalo havia um sujeito oculto (em relação ao chefe de todo o esquema). "Aqui (numa referência ao escândalo do petrolão) ocorre uma ironia que na psiquiatria diz que o criminoso volta ao lugar do crime. E cita que na delação do senador Delcídio Amaral é imputada a Lula a responsabilidade da articulação desses dois esquemas. "A corrupção (no governo petista) não foi tópica, não foi acidental, foi um método de governança", emendou.

Gilmar Mendes critica nomeação de Lula como ministro

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