Médicos restringem visitas a governador do Rio, internado há 5 dias com infecção

Rio - Preocupados com a "romaria" de amigos e colaboradores no hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo (zona sul do Rio de Janeiro), onde o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) está internado desde o sábado, 12, os médicos restringiram as visitas desde a quarta-feira, 16. De lá para cá, poucos secretários de Estado foram recebidos pelo governador, que assinou apenas despachos mais urgentes.

Na noite de quarta, no entanto, Pezão atendeu a vários telefonemas, para tranquilizar companheiros que ouviram boatos sobre o agravamento do estado de saúde e até a morte do governador. "Sargento Garcia vai prender o zorro", brincou Pezão quando foi informado dos boatos, no início da noite. Pouco antes das 23 horas, o governador atendeu um telefonema da presidente Dilma Rousseff. Explicou que estava bem, embora tenha febre em vários momentos, o que indica uma infecção ainda não debelada.

A bateria de exames a que Pezão tem se submetido já eliminou várias possibilidades, mas não chegam a uma conclusão sobre a origem da infecção. Já foram eliminados zika, dengue, chikungunya, endocardite (inflamação da membrana do coração), úlcera e até malária. A febre se intensifica geralmente à noite, embora na quarta-feira tenha sido constatada também à tarde.

Vários fatores têm sido observados pelos médicos: a dieta rigorosa a que Pezão se submeteu, que o fez perder 28 quilos em cinco meses, o forte estresse a que o governador está exposto, diante da crise econômica do Estado, e implantes dentários feitos recentemente pelo governador.

Pezão fez a chamada dieta da proteína, que é restritiva para carboidratos e fibras, o que torna o organismo mais vulnerável. Também foi descartada a presença de alguma bactéria causada pelos implantes dentários. O quadro clínico de Pezão é bom, segundo nota divulgada pelo Palácio Guanabara.

O governador é tratado com antibiótico e na manhã desta quinta-feira se submeteu a mais uma série de exames. Estresse e uma possível estafa têm sido levados em conta na investigação do quadro infeccioso do governador.

Desde que tomou posse, em janeiro do ano passado, Pezão vê se agravar a crise econômica. Ao contrário de 2015, quando conseguiu aprovar uma série de leis na Assembleia Legislativa que permitiram aumento de receita, o governador agora tem enfrentado derrotas políticas, com resistência dos aliados à Lei de Responsabilidade Fiscal do Estado enviada pelo Executivo ao Legislativo.

O projeto acabou retirado pelo governo, que anunciou o desmembramento em propostas temáticas. Entre as novas regras em discussão, está o aumento da contribuição previdenciária dos servidores. Também foi proposto que Legislativo e Judiciário assumam gastos que hoje cabem ao Executivo, o que provocou reação nos dois Poderes.

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