Manifesto de artistas diz que apuração deve obedecer legalidade

Rio - Chico Buarque, Milton Hatoum, Bernardo Carvalho, Marcelo Rubens Paiva, Raduan Nassar, Antonio Candido, Gregório Duvivier, Fernando Morais, escritores, editores, livreiros, ilustradores, professores da área de humanidades, revisores e tradutores, num total de 1.251 profissionais, assinaram um manifesto divulgado nesta segunda-feira, 21, "contra as ameaças à democracia e às liberdades individuais".

O manifesto, em defesa do estado democrático de direito no Brasil, se diz contrário também às "listas negras" e "contra as perseguições e boicotes à liberdade de expressão e seus possíveis impactos na livre circulação das ideias". Critica ainda o que chama de "tomada de partido por setores do Poder Judiciário".

O texto foi publicado no site de organização de campanhas Avaaz. As assinaturas foram colhidas em grupo de Facebook chamado Escritores e Profissionais do Livro pela Democracia, criado no último Sábado.

A iniciativa veio na esteira da polarização do debate político, por causa dos desdobramentos da Operação Lava Jato, envolvendo a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A expectativa era que o número atingisse cerca de 2.000 assinaturas, segundo um dos organizadores, o livreiro Daniel Louzada, da tradicional livraria carioca Leonardo Da Vinci.

"O manifesto contempla um amplo espectro de apoios. A unidade está em torno dos valores democráticos, da preservação do estado de direito no Brasil e da preservação dos direitos fundamentais garantidos na Constituição, ameaçados por posturas crescentemente autoritárias e intolerantes. Em contextos como esses, sabemos, a cultura e o livro são as primeiras vítimas", disse Louzada.

O texto diz que não é possível "imaginar a livre circulação de ideias em outra ordem que não seja a da diversidade democrática, gozada de forma crescente nas últimas décadas pela sociedade brasileira, que é cada vez mais leitora e tem cada vez mais acesso à educação".

"Ainda podemos nos recordar facilmente dos tempos obscuros da censura às ideias e aos livros nos 21 anos do regime ditatorial iniciado em 1964", continua o manifesto.

Conforme o documento, a "necessária investigação de toda denúncia de corrupção, envolvendo a quem quer que seja, deve obedecer às premissas da legalidade e do Estado democrático de direito". "O retrocesso e a perda dos valores democráticos não interessam à maioria do povo brasileiro, no qual nos incluímos como profissionais dedicados aos livros e à leitura."

O manifesto fala ainda de "violação dos direitos à privacidade, à livre manifestação e à defesa, combinadas à agressividade e intolerância de alguns, e à indesejada tomada de partido por setores do Poder Judiciário".

O texto convoca manifestações de "resistência" em espaços públicos. "Dizemos não a qualquer tentativa de golpe e, mais forte ainda, dizemos sim à Democracia." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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