Violência em São Paulo

"Volto mais forte para lutar pelos direitos das mulheres", diz juíza feita refém

Em São Paulo

A juíza Tatiane Moreira Lima voltou nesta segunda-feira (4), ao trabalho, no Fórum do Butantã, na zona oeste de São Paulo, após ser feita refém por um homem acusado de maus tratos contra a ex-mulher. A magistrada foi agredida, ameaçada de morte e teve parte do corpo coberta com gasolina. O caso aconteceu na última quarta-feira no gabinete dela.

A magistrada contou que durante os quase 20 minutos em que ficou em poder do agressor temeu pela própria vida. Alfredo José dos Santos, de 36 anos, segurava um isqueiro e ameaçava atear fogo na juíza e se matar depois. "Eu pensei, em alguns momentos, que ele acenderia aquele isqueiro. Ele me esganava com muita força e fazia ameaças o tempo todo".

Alfredo foi rendido por policiais militares num momento de distração. Tatiane disse que não guarda raiva do agressor, mas um sentimento de compaixão. "Ele tentou resolver um problema da pior maneira possível, que é a Justiça com as próprias mãos".

Logo após ser libertada, a juíza passou por exames em um hospital. Quando chegou em casa com o marido, ela foi recebida pela filha de seis anos. "Eu tive que deixar minhas roupas no IML para perícia e voltei para casa com a roupa do hospital. Minha filha perguntou se eu havia ganhado um bebê". Tatiane tem outro filho de três anos.

Tatiane garante que sai desse episódio fortalecida. "Diariamente, eu ouço relatos de mulheres vítimas de todo tipo de agressão. Aqui, acabei me tornando uma vítima também. Volto mais fortalecida para lutar pelos direitos das mulheres vítimas de violência doméstica".

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desembargador Paulo Dimas, visitou a magistrada com representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele afirmou que o caso está sendo investigado para adoção de providências. "A primeira será o aumento da segurança privada no fórum", afirmou.

O ataque

O motorista Alfredo José dos Santos, de 36 anos, responde a processo criminal por agressão contra a ex-mulher na Vara de Violência Doméstica presidida pela magistrada, no Fórum do Butantã, na zona oeste. O caso em análise aconteceu em 21 de agosto de 2013.

A auxiliar de serviços gerais Andréa Conceição, de 42 anos, voltava para casa a pé quando foi atacada por Santos, na Rua Frederico Lecor. Ela foi agredida com socos, chutes e só conseguiu escapar porque gritou por socorro. Uma amiga dela ouviu os gritos e a socorreu. Santos fugiu. O caso foi registrado no 33.º DP (Pirituba) como violência doméstica e lesão corporal.

Um mês depois, o motorista registrou dois boletins de ocorrência na mesma delegacia, acusando Andréa de maus-tratos contra o filho de 4 anos. As acusações não foram confirmadas pela polícia.

Santos não se conformava com a postura rigorosa da magistrada nas audiências. Segundo a polícia, ele prestaria depoimento às 14h15 de quarta-feira. Chegou antes, no entanto, e entrou correndo pela saída.

Ele carregava material explosivo e incendiou um dos corredores. Em seguida, correu para a sala de audiência onde estava a juíza e a dominou dando numa "gravata". Tatiane foi agredida e jogada no chão.

O agressor jogou gasolina e um produto inflamável na magistrada e ameaçou queimá-la com um isqueiro. Policiais militares e civis passaram a negociar a libertação. A ação foi gravada a pedido do criminoso.

Em uma das cenas, o homem obriga a juíza a dizer que ele é inocente das acusações de agressão. Santos acaba detido pelos policiais ao se distrair. Ele foi preso por tentativa de homicídio e resistência. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Magistrados pedem mais segurança

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