Novo presidente do PMDB, Jucá rebate Renan e diz que pedir novas eleições é golpe

Brasília - Em seu primeiro discurso no plenário como presidente do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) rebateu nesta terça, 5, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que mais cedo havia dito ver com "bons olhos" a realização de eleições gerais para superar a crise política.

Num duro pronunciamento, o peemedebista classificou como "golpe" uma solução dessa forma, advogou o uso do instituto do impeachment como saída para o impasse e ainda saiu em defesa de Michel Temer, a quem diz ficar numa "situação difícil" de ao mesmo tempo ser vice-presidente e dirigente do maior partido do País.

"A saída está na regra, está na Constituição (o impeachment). Qualquer outra saída mirabolante, desculpem-me, aí sim é golpe. Eleições gerais para todo mundo está na Constituição? Não. Todo mundo renuncia está na Constituição? Não. Traduzindo para a população, a regra tem que ser cumprida. Para saber se a regra é cumprida não precisa ir no Supremo não", afirmou.

Na fala, o peemedebista - que já declarou publicamente ser a favor do afastamento da Dilma - fez uma digressão para apontar fatores que levaram o partido a decidir, na semana passada, a entrega dos cargos de ligados à legenda no governo federal. Ele lembrou que, na eleição de 2014, o PMDB decidiu manter Temer como vice de Dilma, mesmo ele pessoalmente tendo anunciado o voto no tucano Aécio Neves.

Numa cutucada ao governo, que tem criticado o vice, Jucá afirmou que na campanha passada Temer não fez ataque a ninguém. Mas, como economista, disse que após as eleições de 2014 ruiu o "castelo de cartas" e o quadro se desnudou com o não cumprimento de promessas feitas. Para ele, o governo perdeu as condições de oferecer credibilidade, segurança jurídica e previsibilidade para a economia e se transformou desde então numa "eternidade de incompetência".

O novo presidente do PMDB disse que, na semana passada, 82% do diretório partidário aprovou a saída da base e a entrega imediata dos cargos que ocupam no governo Dilma. E questionou Renan Calheiros, que presidia a sessão durante o discurso sem citá-lo nominalmente, que a decisão da legenda havia sido "precipitada".

"Alguns levantaram que a decisão seria precipitada ou até pouco inteligente. Pois bem, não acho que a posição foi precipitada. Aliás, minha posição foi antecipada em 2014. Acho que a posição (do PMDB) veio na hora certa", defendeu Jucá, ao destacar que a sociedade que estava nas ruas esperava uma posição do maior partido do País.

Para o peemedebista, o governo quer dar um cheque pré-datado para partidos da base aliada para depois da votação do impeachment na Câmara. Ele disse que é uma incógnita saber se o pedido de afastamento vai passar, mas, se a saída não sair de dentro da própria esfera política, sairá de fora com uma "bravata" ou um "outsider" sem saber para onde o País vai. "Vamos pagar um preço maior", disse.

O presidente do PMDB afirmou que cabe ao Congresso encontrar uma saída nos dois anos e meio, mas ressalvou está enganando quem acredita que resolve o problema barrar um impeachment com 180 votos - são necessários ao menos 172 dos 513 na Câmara para impedir a abertura.

No discurso, Jucá ressaltou que não vai descredenciar, como presidente do partido, quem pensa diferente dele. O senador disse que o PMDB não está pregando o golpe e que ainda não decidiu como votará no pedido de afastamento da presidente. O peemedebista afirmou que não se pode cobrar o PMDB pela crise econômica e afagou Renan ao mencionar que o correligionário ajudou o governo em uma série de votações e propostas.

Para o presidente do PMDB, o partido não pilotou esse avião e Temer não era o copiloto - "estava fora da cabine". "Nós éramos do PMDB (comissários de bordo). A gente segurava as pessoas, mandava apertar o cinto e dava um saquinho para vomitar", disse.

Frenético

Em aparte a Jucá, o senador do PT Lindbergh Farias (RJ) disse que a saída do vice da presidência do partido é uma "ação tardia para disfarçar o indisfarçável". Para o petista, o vice está há muito tempo articulando "freneticamente" o impeachment de Dilma a partir de uma chapa Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu na Operação Lava Jato.

"O Eduardo Cunha não é o PMDB. O Eduardo Cunha fez parte do PMDB, ele tem o direito de se defender e o Supremo Tribunal Federal, no momento apropriado, vai tratar dessa questão. Essa não é uma questão do partido. Essa é uma questão do Supremo e da investigação da Lava Jato que nós apoiamos. Nós apoiamos, o PMDB apoia a investigação da Lava Jato e entende que todos devam ser investigados", disse Jucá.

O peemedebista comentou as declarações feitas na semana passada pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso que se espantou com a fotografia em que mostraram peemedebistas, de mãos para o alto, comemorando a decisão do desembarque. Para ele, Barroso deveria "fulanizar" nas críticas e, se foi com ele, não teme investigações por não dever nada a ninguém.

"Então, as palavras do ministro Barroso não me atingem, não me colocam em nenhuma outra posição. Ao contrário, me estimulam. Acho que o Ministro Barroso e o Supremo podem prestar um grande serviço. E se tivesse rabo preso, eu não estaria assumindo a Presidência do PMDB, porque eu vou me expor. Alguém aqui tem dúvida de que eu vou voltar a ser alvo, de que vão bater em mim, vão vir para cima?", questionou Jucá, ao ressaltar que vai enfrentar de cabeça erguida qualquer debate como presidente do partido.

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