Bando se passa por PF e faz arrastão em prédio de preso na Lava Jato

São Paulo - Uma quadrilha com ao menos dez assaltantes usou uniformes da Polícia Federal para se passar por agentes e conseguir entrar no prédio onde mora o empresário Ronan Maria Pinto, em Santo André, no ABC paulista, proprietário do jornal Diário do Grande ABC. Ele foi preso pela Operação Lava Jato. No condomínio, o grupo fez um arrastão e invadiu dois apartamentos. O imóvel de Ronan não foi assaltado.

A ação aconteceu por volta das 5h30 desta quinta-feira, 14. Os criminosos ficaram por cerca de duas horas nos apartamentos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), durante a ação, o bando levou joias e dinheiro dos apartamentos.

O prédio, de um apartamento por andar, fica na Rua Dona Carlota, na Vila Bastos, bairro do centro da cidade. "O 1.º Distrito Policial de Santo André instaurou inquérito e já começou a ouvir testemunhas e vítimas. A polícia procura por imagens de câmeras de segurança que possam ter registrado a ação para identificar os autores do crime", informou a pasta, por meio de nota.

Segundo informações do Diário do Grande ABC, uma das pessoas rendidas pelos assaltantes foi o síndico do prédio, morador que saía para trabalhar quando foi abordado pelos criminosos. Ao jornal, o síndico declarou que os assaltantes disseram que eram policiais federais, mas depois ameaçaram matá-lo quando pediram as imagens das câmeras de segurança do imóvel. Os criminosos teriam fugido em dois carros.

Investigação

A assessoria de Ronan foi procurada, mas informou que não comentaria a ação dos criminosos. O empresário foi condenado em novembro do ano passado a dez anos de prisão, em regime fechado, e pagamento de multa pelos crimes de concussão e corrupção ativa praticados em Santo André na gestão do prefeito Celso Daniel (PT), morto em 2002 em um crime que é descrito como homicídio comum pela Polícia Civil.

No começo do mês, ele foi preso na 27.ª fase da Lava Jato - batizada de Carbono 14, em referência ao teste feito para datar objetos antigos. A prisão temporária foi convertida, pelo juiz Sérgio Moro, em preventiva, sem prazo para expirar.

Ronan é acusado de ter recebido R$ 6 milhões após ameaçar divulgar informações que ligariam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho à morte do prefeito Celso Daniel. A família do prefeito sustenta, até hoje, que seu assassinato foi um crime político.

O dinheiro teria sido usado para comprar o jornal de Santo André e saiu de pagamentos de propina da compra de sondas feitas pela Petrobrás. Contas offshores do filho de Ronan também são investigadas.

O empresário, que nega todas as acusações, informou em depoimento à Polícia Federal que nunca recebeu dinheiro de origem política e que não tem conhecimento dos fatos narrados na investigação. / COLABOROU BRUNO RIBEIRO

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