Agentes do setor elétrico lamentam saída de Braga do ministério

São Paulo - A saída de Eduardo Braga (PMDB-AM) do Ministério de Minas e Energia foi lamentada por agentes do setor, que o consideravam um bom articulador, que ampliou o diálogo entre governo e o setor e foi importante para a resolução de alguns problemas importantes que afetavam o segmento até recentemente, como a repactuação do déficit hídrico e a renovação das concessões.

"Houve um grande avanço na relação entre governo e setor durante a gestão de Eduardo Braga. Depois de o setor passar por um momento nebuloso em 2012 e 2013, com a edição da Medida Provisória 579, sem qualquer discussão com os agentes, a vinda dele significou uma evolução e o perigo agora é um retrocesso", disse um executivo, que pediu para não ser identificado.

No início do mês, o presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr, já havia dito a jornalistas que a renúncia do ministro, por conta da saída do PMDB da base do governo, seria negativa para o setor. "É um ministro que está aqui há um ano e dois, três meses e que fez muita coisa: arrumou a distribuição, arrumou a geração, agora está arrumando a transmissão, acertou modelos regulatórios, está liderando isso com o conjunto dos agentes", afirmou.

Nesta semana, também o diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Vivan, disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que nos últimos anos o governo "reconheceu seus erros", após a publicação da lei sobre a renovação antecipada das concessões, aceitando adotar o realismo tarifário e passando a mostrar maior disponibilidade para negociações. "Temos percebido mais disposição de encontrar soluções consensuais, sempre com o favorecimento do diálogo", afirmou, atribuindo a mudança ao atual ministro Eduardo Braga e também ao secretário-executivo Luiz Eduardo Barata.

Barata, aliás, foi nome destacado por Braga nesta quarta-feira, 20, ao ser questionado sobre sua sucessão no MME. "Acho que Dilma vai tomar decisões, e dei a minha sugestão do que eu achava que deveria ser. Sugeri que Dilma aproveite Barata talvez em outra posição", disse o ministro.

Um eventual ascensão de Barata a ministro é vista como uma boa solução e garantia de manutenção do diálogo. "Mais do que Braga, foi Barata o grande responsável pela melhora do diálogo com o ministério e pelo avanço das questões em aberto", diz o executivo que falou na condição de anonimato, salientando o profundo conhecimento de Barata no setor elétrico e o bom relacionamento que mantém com os agentes. (Colaborou Eduardo Rodrigues)

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