Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Temer se reúne com cúpula do PMDB em São Paulo

De São Paulo

  • Danilo Verpa/Folhapress

Menos de 24 horas depois da dura declaração do presidente do PT, Rui Falcão, de que um eventual governo Michel Temer não terá trégua, o vice-presidente da República convocou uma reunião com o chamado núcleo duro do PMDB, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 20.

Ao chegar para o encontro, por volta das 9h30 da manhã, o ex-ministro da Aviação Civil e um dos principais articuladores políticos de Temer, Eliseu Padilha, deu o tom da percepção dentro do atual momento: "A luta política é esperada" e repetiu o que disse Temer na terça (19): que eles irão aguardar a tramitação do processo de impeachment de Dilma no Senado Federal pacientemente e em silêncio.

A respeito das declarações de Lula, Padilha disse: "Neste momento o que de melhor podemos fazer é observar e raciocinar como alguém que está fora do governo e o governo tem que cumprir seu papel e o presidente Lula, pelo que vejo, fala em nome do governo.

Depois da chegada de Padilha, o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira de Lima e o ex-ministro da Aviação Civil Moreira Franco também compareceram para a reunião do PMDB com Temer.

O primeiro-secretário nacional do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), fez duras críticas à presidente. O político, ex-ministro da Integração Nacional no governo Lula e ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa no governo Dilma, disse que a presidente tem de parar de se vitimizar e denegrir a imagem do país.

"O discurso de se vitimizar e bancar a pobrezinha para angariar pena da população só faz denegrir a imagem do Brasil", afirmou.

"Ela tem que respeitar a Constituição e parar com essa conversa fiada de que houve golpe. Ela não teve maioria no Congresso (para barrar o impeachment) e quem não tem maioria perde as condições de governabilidade", disse. Segundo ele, o povo brasileiro precisa entender que houve crime de responsabilidade e que a petista feriu a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Constituição. "Além disso, a Câmara já se manifestou favorável ao seu afastamento". O pedido tramita agora no Senado.

Geddel chegou para o encontro acompanhado do ex-ministro Moreira Franco, presidente da Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao PMDB. O senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos principais articuladores políticos de Temer no Congresso Nacional, também participa da reunião. Juacá disse que estava ali para conversar, já que "as conversas são a matéria-prima da política".

Nas críticas ao PT, o ex-ministro Geddel não poupou outras lideranças petistas, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em conversas com correligionários tem afirmado que, se Dilma for afastada e Temer assumir a Presidência, não sairá das ruas em protesto ao peemedebista. "Essa postura não condiz com um ex-presidente da República, que deveria estar pregando a paz e o respeito à Constituição e não embarcar neste discurso bobo de golpe. E logo o PT e Lula que pediram impeachment de tantos presidentes. Seriam eles também golpistas?", ironizou.

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