Deputados da oposição dizem que prevaleceu bom senso em discurso de Dilma na ONU

Nova York - A avaliação de deputados da oposição que acompanharam em Nova York o discurso da presidente Dilma Rousseff nas Nações Unidas (ONU), nesta sexta-feira, 22, é que prevaleceu o bom senso na fala da presidente, que mencionou a crise no Brasil no final do discurso, mas não citou as palavras "impeachment" e "golpe".

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) declarou que o pronunciamento "foi perfeito" e prevaleceu o "bom senso". "A presidente disse que não haverá retrocesso e não haverá mesmo", afirmou a jornalistas na sede da ONU. "Foi um discurso compatível com a chefe de Estado brasileira." Dilma falou por pouco mais de oito minutos, dos quais a maior parte sobre como o Brasil está combatendo a mudança climática e no minuto final falou do momento atual do Brasil.

Aleluia e o deputado do deputado Luiz Lauro Filho (PSB-SP) viajaram a Nova York por determinação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para acompanhar o pronunciamento de Dilma. Para Aleluia, a presença deles na ONU "seguramente teve influência" na decisão da presidente de não atacar as instituições brasileiras.

Ambos viajaram de classe executiva e estão recebendo uma diária de US$ 300. A hospedagem no hotel Mariott East Side também é custeada pelos cofres públicos. A Câmara dos Deputados alega falta de recursos para não convocar o lobista Fernando Baiano para depor no pedido de cassação de Cunha.

Aleluia disse que o gasto foi justificável, enquanto Lauro Filho considerou "estranho" o argumento de falta de recursos para a não convocação. "O orçamento é o mesmo e há recursos para enviar parlamentares a Nova York", disse. "O depoimento de Fernando Baiano é importante e ele tem que ser convocado." O deputado do DEM disse que não viajaria a Nova York de classe econômica. "Não tenho mais saúde para isso."

Segundo os dois parlamentares, a missão do Brasil na ONU informou inicialmente que não poderia credenciá-los para a cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre mudança climática, que teve a participação de Dilma. "Prefiro acreditar que o embaixador tenha cometido um equívoco", disse Aleluia se referindo ao representante do Brasil na instituição, Antonio Patriota.

Os dois deputados também justificaram a ida a Nova York pela necessidade de apresentar à imprensa estrangeira a versão da oposição sobre o processo de impeachment de Dilma. Aleluia afirmou que o rito obedece à Constituição brasileira e prevê o amplo direito de defesa da presidente. "Se ela mentir, nós refutaremos. Até agora ela não mentiu." Aleluia disse que concedeu entrevista por telefone ao jornal The New York Times e falou com a CNN em frente à ONU. "As pessoas nos Estados Unidos estão entendendo que o que acontece no Brasil é um processo constitucional."

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