Processo de impeachment

Senadores governistas querem explicações de Anastasia sobre 'pedaladas'

De Brasília

  • Jean-Christophe/Efe

    Anastasia quando era governador de MG

    Anastasia quando era governador de MG

Senadores alinhados com a presidente Dilma Rousseff defenderam nesta quinta-feira (28), que o relator da Comissão Especial do Impeachment do Senado, Antonio Anastasia (PSDB), dê explicações sobre a edição de decretos de suplementação orçamentária supostamente sem aval do Legislativo quando o tucano governou o Estado de Minas Gerais. Esse tipo de autorização, que visa a ampliar despesas, é uma das bases do pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" de hoje mostrou que técnicos do TCE (Tribunal de Contas do Estado) de MG apontaram impropriedades nos gastos do governo no período em que o senador do PSDB governou Minas.

Para Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM), Anastasia vai ter de explicar o que é pedalada e como se faz para driblá-las. "O senhor Anastasia, senador do PSDB de Minas Gerais, ex-governador, vai ter de explicar muito o que é pedalada e como escapar de uma pedalada e como escapar", cobrou a senadora em plenário, que também integra a comissão especial.

Em tom de ironia, Vanessa afirmou já ter a resposta do tucano. Segundo a senadora, ele dirá que teve as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas estadual e Dilma não teve pelo Tribunal de Contas da União. Ela defendeu a mudança na forma de escolha dos conselheiros da Corte de Contas e insinuou que, "quando querem", aprovam as contas.

O senador Jorge Viana (PT-AC) disse que as pedaladas foram praticadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso, por todos os governadores e ainda citou que Anastasia realizou essas 22 pedaladas.

Defesa

Procurada pela reportagem na quarta-feira, a assessoria de imprensa de Anastasia informou que o PSDB se pronunciaria a respeito. Em nota, o partido sustentou que "nenhuma das acusações atribuídas" ao senador se assemelham "ao que está no pedido de impeachment de Dilma". "De 2010 a 2014, todas as leis orçamentárias anuais do Estado permitiam que o governador abrisse parte do orçamento em créditos suplementares", alegou.

O PSDB informou - sem considerar as despesas "extralimite" citadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) - que os créditos suplementares estiveram abaixo dos parâmetros definidos e foram de 5,5% do orçamento em 2010, 13,8% em 2011, 7,6% em 2012, 4,3% em 2013 e 6,5% em 2014. "Enquanto Dilma teve suas contas rejeitadas pelo TCU, todas as contas de Anastasia foram aprovadas pelo TCE e pela Assembleia Legislativa", argumentou o partido.

Sobre os gastos em saúde e educação, o PSDB alegou que, enquanto a legislação sobre o caso não era regulamentada, "várias questões foram levantadas em muitos Estados", mas o governo de Anastasia "respeitou todas as exigências legais, tanto que suas contas foram aprovadas" pelo TCE.

O senador atribuiu os questionamentos sobre sua gestão a uma estratégia para desqualificá-lo como relator. "Sinto que, com a falta de argumentos, partam, tão cedo, para ataques injuriosos e mentirosos. É dessa postura que o Brasil está farto", afirmou nas redes sociais.

Impeachment passo a passo: o que aconteceu e o que pode acontecer

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