Dilma diz que vai lutar contra 'usurpador de mandato'

Santarém (PA) - A entrega das chaves de 3.081 moradias do programa Minha Casa Minha Vida no "Residencial Salvação", novo bairro erguido pelo governo em Santarém (PA), foi usada pelo presidente Dilma Rousseff como ato de protesto e de defesa de seu mandato.

Em discurso de pouco mais de 30 minutos acompanhado por uma multidão de mais de 5 mil pessoas, Dilma fez ataques diretos ao vice-presidente Michel Temer e ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), agora afastado do mandato de deputado e da presidência da Câmara por decisão do ministro Teori Zavascki do Supremo Tribunal Federal (STF).

Sem citar o nome de Temer, Dilma referiu-se ao vice como "usurpador de mandato", e voltou a bater fortemente na argumentação de que há um "golpe contra a democracia" em andamento no País. "O que estão fazendo é uma eleição indireta, não é o povo que está votando. É um absurdo, eu fui eleita com 54 milhões de votos", disse Dilma, que voltou a reiterar que prosseguirá na defesa de seu mandato, caso o impeachment seja aprovado na próxima semana.

"Eu acho que estou sendo vítima de uma injustiça, tenho consciência disso. Mas não vou ficar parada esperando o ônibus passar. Eu vou lutar pelo meu mandato. Eu tenho responsabilidade em relação à democracia do meu País", disse Dilma. "Não adianta querer encurtar o caminho para o poder. Para chegar à Presidência da República, tem que ter voto."

Em seu discurso, a presidente não mencionou o afastamento de Cunha, mas voltou a citar a atuação do parlamentar para barrar propostas do governo. "O senhor Eduardo Cunha, desde o início do ano, não deixa o Congresso funcionar", disse Dilma, aplaudida pela população que acompanhava a cerimônia.

A apenas cinco dias da votação do impeachment pelo plenário do Senado, Dilma procurou demonstrar bom humor e tentou fazer um discurso mais simples. Na tentativa de explicar para a população por que autorizou a liberação de decretos de crédito suplementar, os quais suportam o pedido de impedimento no Congresso, Dilma comparou os gastos públicos com compras feitas em supermercados e feiras.

A presidente lembrou que os créditos foram usados em ações sociais, em operações já comuns a outros governos, como os do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Dilma mencionou que FHC autorizou 101 decretos de crédito suplementar em sua gestão. "Aquilo não era crime? Não, nunca foi, mas agora querem me falar que é crime. Não, não é não. Por isso, é muito frágil aquilo do que acusam. É um golpe contra a democracia no Brasil."

A visita a Santarém, que há mais de 30 anos não recebia um presidente da República, ocorreu após Dilma visitar as obras da hidrelétrica de Belo Monte, também no Pará, no município de Vitória do Xingu. A sucessão de eventos públicos fez com que o ministro de Minas e Energia, Marco Antônio Almeida, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, também acompanhassem o anúncio de casas populares do Minha Casa Minha Vida.

Por meio de "links" de TV ao vivo, ministros e autoridades do governo partiram para outros quatro Estados para fazer entregas simultâneas de moradias do programa habitacional. Ao todo, foram entregues 6.597 casas em municípios da Bahia, Minas Gerais, Ceará e Rio de Janeiro, além do Pará. As casas são destinadas a famílias com renda de até R$ 1,6 mil e devem beneficiar cerca de 26 mil pessoas.

Ao defender os principais programas do governo na área social e a importância de mantê-los, Dilma mencionou resultados de iniciativas como Bolsa Família, Mais Médicos, Pronatec, Prouni e Fies.

Logo após a saída de Dilma, que deixou o evento sem falar com a imprensa, representantes da Caixa anunciaram a entrega imediata das chaves das casas para a população. A cerca de 7 quilômetros do centro de Santarém, o "Residencial Salvação" ainda não tem uma árvore sequer plantada em suas ruas.

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