Processo de impeachment

'Ganhamos tempo para nos reorganizar', diz Lula sobre decisão de anular impeachment

Em Brasília

  • Paulo Whitaker/Reuters

    Lula, porém, mostrou dúvidas sobre o que acontece agora no Senado

    Lula, porém, mostrou dúvidas sobre o que acontece agora no Senado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou nesta segunda-feira (9) a decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), de anular a tramitação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Casa.

"Ganhamos tempo para nos reorganizar", disse Lula, que chegará ainda nesta segunda a Brasília. "O que aconteceu é uma demonstração de que o processo presidido por Eduardo Cunha foi viciado", emendou ele, numa referência ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Em conversa com dirigentes do PT, porém, Lula mostrou dúvidas sobre o que acontece agora no Senado, uma vez que o processo contra Dilma está tramitando lá.

A votação do impeachment no plenário do Senado está marcada para esta quarta-feira (11) e, até o despacho de Maranhão, o governo já esperava a derrota. Com isso, Dilma teria de ser afastada do cargo por até 180 dias.

Lula elogiou o ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, que impetrou recurso na Câmara pedindo a anulação da sessão do dia 17 de abril, quando foi aprovado o impeachment de Dilma por 367 votos a 137.

Cardozo apontou várias falhas no rito conduzido por Cunha, como a orientação de voto dada por líderes dos partidos. "Zé Eduardo está muito bem nessa defesa", disse o ex-presidente.

Em nota divulgada na tarde de segunda-feira, Lula nega as declarações.

"O ex-presidente Lula não fez comentários sobre a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, no processo de impeachment e nem esteve com dirigentes do PT para tratar deste ou de qualquer outro assunto nesta segunda-feira (09). São improcedentes e inverídicas, portanto, as frases atribuídas a Lula em notícia da Agência Estado. A posição de Lula sobre o processo de impeachment é pública: trata-se de um golpe, pois não existe crime de responsabilidade por parte da presidenta Dilma."

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