Eurasia: Temer deve ter apoio no Congresso, mas avanço fiscal deve ser modesto

Nova York - O vice-presidente Michel Temer deve assumir nesta quinta-feira, 12, a presidência interina do Brasil com amplo apoio no Congresso, o que deve facilitar neste primeiro momento a aprovação de medidas de ajuste na economia e algumas reformas, avaliam os analistas da consultoria de risco político Eurasia, que tem sede em Washington, em nova análise sobre o cenário político brasileiro divulgada nesta quarta-feira, 11. Apesar do forte apoio, a avaliação inicial é que o progresso em medidas mais estruturais para melhorar as contas fiscais deve ser "modesto".

A Eurasia dá como certo que o Senado vai aprovar o processo de impeachment de Dilma Rousseff, afastando a presidente do comando do país por até 180 dias enquanto é julgada. Eles preveem que ao redor de 55 a 56 senadores devem votar a favor da saída de Dilma.

Temer deve conseguir no curto prazo aprovar medidas, como a liberação das reservas de petróleo do pré-sal para estrangeiros, avalia a Eurasia. Mas medidas mais profundas de reformas estruturais para melhorar as contas fiscais do Brasil devem ter avanço "modesto", de acordo com os analistas da Eurasia especializados em Brasil, Christopher Garman, João Augusto de Castro Neves e Cameron.

A Eurasia avalia que Temer terá maioria tanto no Senado como na Câmara em um patamar acima do necessário para aprovar medidas de ajustes, o que dará um conforto inicial. Os analistas veem Temer conseguindo apoio de 380 deputados na Câmara e 60 senadores. No caso dos deputados, o número é ainda maior do que os que votaram a favor do processo de impeachment de Dilma em abril (367). O relatório ressalta que alguns políticos que eram contrários ao impedimento vêm manifestando apoio a uma gestão Temer.

A razão do forte apoio a Temer ocorre por alguns motivos, de acordo com os analistas da Eurasia. O setor privado apoia a saída de Dilma e espera medidas pró-mercado do peemedebista. Além disso, muitos congressistas buscam cargos, influência e recursos, de olho nas eleições municipais de outubro. "A ansiedade para as eleições está muito alta", escrevem no relatório.

Mesmo com o grande apoio inicial, a avaliação da Eurasia é que Temer conseguirá progresso "modesto" na agenda de reformas e ajustes. Uma das razões é que o Brasil precisa de um amplo pacote de medidas para melhorar as contas públicas, capazes de levar um déficit primário ao redor de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para um superávit de 2% a 3%.

"São medidas amplamente impopulares e que exigem reforma constitucional", destacam os analistas, ressaltando que as eleições presidenciais de 2018 acabam sendo um peso negativo neste caso. Pela proximidade, muitos políticos vão querer evitar se envolver em medidas de cortes de gastos, benefícios e aumento de tributos. "Os deputados e senadores vão querer trabalhar com o governo Temer, mas não ao ponto de colocar suas próprias reeleições em risco."

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