Pais 'escoltam' alunos que querem ter aula em Etesp

São Paulo - Dez dias depois da ocupação da Escola Técnica de São Paulo (Etesp), no Bom Retiro, região central de São Paulo, na quarta-feira, 11, um grupo de pais "escoltou" estudantes que queriam ter aula. Em um prédio adjacente ao que está ocupado, alunos de sete turmas da escola furaram o bloqueio e tiveram aulas durante todo o dia.

"Um grupo de pais se organizou para que os alunos pudessem ter aula. Cada dia, até que a escola seja desocupada, 5 ou 6 pais vão acompanhar a entrada para garantir que eles tenham aula", disse a engenheira Rosana Cavalcante, de 45 anos, mãe de um estudante de 14 anos do 1.º ano do ensino médio.

Segundo Rosana, os alunos que invadiram a unidade estariam "intimidando e coagindo" os demais estudantes, que não concordam com o movimento. Por isso, os pais se organizaram para que as atividades acadêmicas fossem retomadas. A Polícia Militar foi acionada para acompanhar a entrada desses estudantes que teriam aula.

Segundo o Centro Paula Souza (CPS), responsável pelas escolas técnicas estaduais, a direção liberou as salas para seis turmas do 1.º ano e uma do último módulo de Eletrônica. "Para garantir o direito às aulas desses estudantes, apenas o acesso deles foi liberado no edifício", disse em nota.

O Centro também informou que cortou a energia elétrica do prédio tomado, porque os manifestantes "ligaram o som em volume que impedia o acompanhamento das aulas pelos demais alunos da escola e da Fatec São Paulo, que funciona no mesmo câmpus". No início da noite de quarta, segundo o Centro, o fornecimento de energia seria normalizado.

Ocupação

A Etesp foi a primeira Etec a ser ocupada neste ano, três dias após os estudantes tomarem a sede do Centro Paula Souza. Eles reivindicam melhorias na merenda escolar e na estrutura do prédio. Mesmo após o governo anunciar que os alunos do período integral poderão escolher entre receber um lanche ou marmitex a partir de agosto, eles decidiram manter a ocupação.

"Muitos pensam que todas as nossas pautas foram atendidas, porém os alunos serão obrigados a votar se querem merenda seca (uma bolacha ou barra cereal e suco) ou marmitex. Isso é totalmente insano. Não aceitamos isso. Têm de ser os dois", disseram os estudantes.

Na quarta, eles ainda divulgaram nas redes sociais e-mails do diretor da Etesp. Segundo os organizadores, os e-mails provam que ele estaria "incentivando" os professores a entrar em conflito com os estudantes. E disseram ter achado a senha do e-mail em cima da mesa do diretor.

Os alunos disseram ainda que estão sofrendo perseguição da direção da escola e ameaças de professores que prometem retaliação nas provas. Segundo o Paula Souza, os alunos invadiram a sala da direção na manhã de quarta e hackearam o e-mail institucional do diretor. Eles ainda teriam rasurado e jogado documentos da escola pela janela. "O Centro Paula Souza reconhece o direito às reivindicações, mas lamenta ações de vandalismo como essa."

O produtor cultural Tulio Schargel, de 50 anos, pai de um aluno de 15 anos do 1.º ano do ensino médio, disse que a princípio apoiava o movimento dos alunos, mas afirmou não conseguir entender a motivação da ocupação. "Eles estavam certos em lutar pela merenda, era uma reivindicação justa e conseguiram. Mas, agora, parecem não entender a complexidade dos problemas e querem resolver tudo imediatamente", afirmou ele, que também participa da Associação de Pais e Mestres (APM).

Na quarta, segundo o Paula Souza, além da Etesp, outras 12 Etecs permaneciam ocupadas por estudantes. "Em algumas unidades, como Basilides de Godoy e Pirituba, também têm sido registrados conflitos entre ocupantes e alunos que querem ter aulas", disse o Centro.

Os estudantes também ocupam três escolas estaduais e duas diretorias regionais de ensino (Centro-Oeste, na capital, e uma em Guarulhos). Eles afirmam que não vão recuar porque querem melhorias na merenda servida em todas as escolas públicas estaduais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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