"Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes", diz Dilma

Carla Araújo - Em suas primeiras palavras públicas após a decisão do Senado de aceitar o processo de impeachment, a presidente afastada Dilma Rousseff reconheceu erros e afirmou que o que mais dói neste momento é a "dor da injustiça". "Posso ter comido erros, mas não cometi crimes", disse.

Ao lado de mais de 20 ministros, deputados, senadores e funcionários do Palácio do Planalto, a presidente afastada fez um pronunciamento de 15 minutos. Dilma reforçou que está sofrendo um golpe e pediu que não desistam de lutar por seu governo. "O que está em jogo não é apenas o meu mandato, é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição", afirmou.

Dilma lembrou da tortura que sofreu durante a ditadura militar e do câncer que teve em 2011, mas afirmou que nenhuma dessas dores foi mais forte do que a que sofre agora. "Muitos (desafios) pareceram a mim intransponíveis, mas eu consegui vencê-los. Eu já venci a dor da tortura e da doença e agora eu sofro uma dor igualmente inominável, a da injustiça. O que mais dói é a injustiça e é perceber que estou sendo vitima de uma farsa jurídica e política", afirmou.

A presidente afastada Dilma Rousseff reforçou, em pronunciamento após assinar a intimação de afastamento por até 180 dias, que a decisão do Senado Federal de abrir o processo de impeachment coloca em jogo o respeito às urnas e às conquistas dos últimos 13 anos.

A presidente fez um breve balanço de medidas do seu governo e citou a descoberta do pré-sal, os programas de atendimento à Saúde, "ganhos das pessoas mais pobres", a valorização do salário mínimo, a "realização do sonho da casa própria".

Dilma classificou o processo que levou ao seu afastamento de "frágil, inconsistente" e ressaltou que é uma pessoa honesta e inocente. "Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. Injustiça cometida é um mal irreparável. Essa farsa jurídica deve-se ao fato de que nunca aceitei chantagem de qualquer natureza", destacou.

Ao lado de mais de 20 ministros, que chegaram antes dela ao local da cerimônia e a aplaudiram em diversos momentos, Dilma afirmou que, desde que foi eleita, parte da oposição inconformada pediu recontagem dos votos e tentou anular as eleições e passou a conspirar para um processo de impeachment. "Impedindo a recuperação da economia com o objetivo de tomar à força o que não conquistaram nas urnas", disse.

Segundo a presidente, o seu governo tem sido alvo de intensa e incessante sabotagem. "Quando uma presidente é caçada sob a acusação de um crime que não cometeu, o nome que se dá a isso é golpe", disse, antes de reafirmar que não cometeu crimes de responsabilidade e que os decretos citados no processo de impeachment também aconteceram em outros governos.

Lula

Depois do pronunciamento, a presidente Dilma Rousseff desceu, pela passagem interna do prédio, e encontrou-se com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em frente ao Palácio do Planalto. Os dois se abraçaram, mas não disseram nada. "Não tenho o que dizer neste momento", falou Lula, ao ser questionado pela imprensa. "É um momento muito triste", disse Jaques Wagner. Vários servidores acompanharam a caminhada, chorando. Dilma faz fora do Planalto um discurso aos manifestantes que a esperavam.

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