Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Temer recebe notificação sobre afastamento de Dilma e se torna presidente interino

Em Brasília

O primeiro secretário do Senado, Vicentinho Alves (PR-TO), chegou às 11h30 ao Palácio do Jaburu para notificar Michel Temer sobre o afastamento de Dilma Rousseff. Com isso, Temer assumiu interinamente a Presidência por até 180 dias, período para o julgamento do processo de impeachment de Dilma.

O parlamentar relatou que, quando entregou a intimação a Dilma, ela não estava alegre ou triste, mas tranquila. "Fiz essa intimação de forma respeitosa. Essa não é uma missão prazerosa, foi um encontro respeitoso e discreto", disse.

Segundo ele, ao entregar a notificação a Temer, lhe deu boa sorte. "Tenho certeza de que ele irá atender aos anseios da população", afirmou.

Temer não autorizou o início do "beija-mão". Todos os parlamentares que chegaram ao Palácio do Jaburu na manhã desta quinta-feira (12) foram impedidos pelos seguranças de entrar. Temer informou que apenas depois da notificação receberia parlamentares que desejam cumprimentá-lo. Apesar de ter barrado políticos, todos os novos ministros tiveram autorização para ingressar no Jaburu.

O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chegou por volta de 10h30. Além dele, estão no Jaburu Eliseu Padilha (novo Casa Civil), Alexandre de Moraes (Justiça), Geddel Vieira Lima (secretaria de Governo) e Fábio Medina Osório (AGU). Nenhum deles falou com a imprensa.

'Sofro', diz Dilma

Em seu primeiro pronunciamento oficial após ser intimada da decisão do Senado sobre a abertura do processo de impeachment nesta quinta-feira (12), a presidente afastada Dilma Rousseff afirmou sofrer "a dor inominável da injustiça".

Em discurso de 15 minutos à imprensa, Dilma lembrou de sua luta contra ditadura militar (1964-85) e do câncer contra qual lutou, em 2009, quando era ministra-chefe da Casa Civil.

"O destino sempre me reservou muitos desafios. Muitos e grandes desafios. Alguns pareciam a mim intransponíveis. Mas eu consegui vencê-los. Eu já sofri a dor invisível da tortura. A dor aflitiva da doença. E, agora, eu sofro mais uma vez a dor igualmente inominável da injustiça. O que mais dói, neste momento, é a injustiça. O que mais dói é perceber que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política. Mas não esmoreço. Olho para trás e vejo tudo que fizemos. Olho para frente e vejo tudo que precisamos fazer."

Vestindo branco, Dilma declarou em seu pronunciamento que pode ter cometido erros, mas não crime. "Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. Esta farsa jurídica da qual estou sendo alvo, é que nunca aceitei chantagem de qualquer natureza. Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes. Estou sendo julgada por ter feito justamente tudo que a lei me autorizava fazer", disse.

Dilma pode ficar afastada por até 180 dias. Se o Senado não concluir o processo, ela reassume o cargo.

O Senado afastou Dilma da Presidência. O que acontece agora?

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