Primo de Nelson Jobim diz que pagou US$ 1,97 milhão a ex-gerente da Petrobras 'por cortesia'

Em São Paulo

  • Sergio Lima/Folhapress

    Atan de Azevedo Barbosa é primo do ex-ministro Nelson Jobim (foto), que presidiu o Supremo

    Atan de Azevedo Barbosa é primo do ex-ministro Nelson Jobim (foto), que presidiu o Supremo

O "advogado/conselheiro" Atan de Azevedo Barbosa, 77, afirmou em depoimento à Polícia Federal que fez transferências para a conta do ex-gerente executivo da Petrobras Pedro Barusco "como cortesia".

Barbosa, funcionário aposentado da estatal, foi citado em delação premiada como um dos operadores de propina do esquema de corrupção instalado na companhia petrolífera, entre 2004 e 2014, sob a senha "Tadeu".

O advogado foi alvo de mandados de condução coercitiva e de buscas na 9ª fase da Operação Lava Jato, batizada como My Way, em fevereiro de 2015.

Primo de primeiro grau do ex-ministro Nelson Jobim, que presidiu o Supremo Tribunal Federal (2004-06), Barbosa acabou passando uma noite na superintendência da Polícia Federal, no Rio.

Foi preso porque policiais encontraram em sua casa munição sem que ele tivesse autorização para portá-las. O advogado pagou fiança de R$ 25 mil e deixou a prisão no dia seguinte.

Em 2 de junho deste ano, Barbosa foi questionado pela delegada federal Renata da Silva Rodrigues, da força-tarefa da Lava Jato, sobre a conta Heatherley Business.

"Perguntado novamente sobre sua vinculação com a Heatherley Business, tendo em vista que vasto material foi apreendido em posse do declarante vinculando-o à referida conta, afirma que por ocasião de sua primeira oitiva estava confuso e que experimentava também sequelas decorrentes de um AVC; que não se lembrava da referida conta, por isso acabou afirmando que a desconhecia; que afirma que, de fato, a conta Heatherley Business pertence ao declarante desde 1973, tendo aberto ela para receber rendimentos enquanto trabalhou na Europa; que trabalhou na Europa até 1992, inclusive tendo fabricado guaraná nesse período, por meio de indústrias locais; que quando saiu da Europa, a conta passou a ter pouca movimentação, mas mantinha um saldo razoável, de cerca de US$ 2 milhões", disse o advogado em seu depoimento.

No dia 24 de novembro de 2014, o delator Barusco afirmou à PF que em 17 de junho de 2008 abriu uma empresa chamada Rhea Comercial INC, com sede no Panamá, sob a conta 606419. O ex-gerente da Petrobras declarou que a conta "acumulou ativos até março de 2014 num total de US$ 14.3 milhões".

"Desse montante US$ 11.7 milhões foram relativos a depósitos de propinas e o restante foram rendimentos bancários, sendo que US$ 1,97 milhão foram pagos por empresas offshores de Atan Barbosa, operador", apontou Barusco.

O ex-diretor disse ainda que usava siglas para se referir a nomes de operadores que depositaram propinas em seu favor. "Essas siglas eram usadas contemporaneamente aos fatos para a contabilidade das propinas: 'Tadeu é Atan Barbosa'", afirmou.

A delegada questionou Barbosa por qual motivo realizou transferência partindo da conta Heatherley para a conta controlada por Barusco. Ele afirmou que fez tais pagamentos "como uma 'cortesia', buscando obter a simpatia de Barusco e alguma facilitação por sua parte em procedimentos da Petrobras.

Alegou, por exemplo, "que um simples cadastro de fornecedor na Petrobras pode ser um procedimento extremamente demorado, caso não haja um 'padrinho'"; "que Barusco era a única pessoa que realmente conhecia na Petrobras, já que havia saído da estatal quando o declarante entrou; e que então "passou a centralizar em Barusco todos esses pagamentos que buscam 'ajudar' seus clientes", declarou.

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