Ex-vice-presidente da Caixa diz que assinou carta de renúncia a mando de Cunha

Em Brasília

  • Valter Campanato/ Agência Brasil

    Em delação, o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto relatou propina a Cunha

    Em delação, o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto relatou propina a Cunha

O ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto contou em delação premiada que, logo após sua nomeação para o cargo, em 2011, foi obrigado a assinar uma carta de renúncia que poderia ser usada pelo seu padrinho político, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quando quisesse.

A colaboração do ex-vice da Caixa foi um dos elementos que embasou a operação deflagrada nesta sexta-feira (1º) e que tem como alvo Lúcio Bolonha Funaro, apontado como o lobista que achacava empresas junto com Cunha.

Conforme o relato de fontes com acesso às investigações, o documento seria usado se Cleto não colaborasse com o esquema de corrupção no Fundo de Investimento do FGTS.

O ex-vice da Caixa acusou Cunha e o agente do mercado financeiro Lúcio Funaro de receber suborno de empresas que captavam recursos do fundo. Ele admitiu que atuava para viabilizar os aportes, a pedido do deputado e de Funaro, que seria parceiro do peemedebista no esquema.

Nos depoimentos prestados à Procuradoria-Geral da República (PGR), Cleto afirmou que, dois dias após sua nomeação, em 2011, Funaro o fez assinar a carta. Assim, relatou, a qualquer momento ele poderia ser destituído do cargo, dependendo da vontade do delator.

Cleto já teria se comprometido diante dos procuradores a devolver cerca de R$ 5 milhões a título de multa. O valor corresponde à soma das propinas que ele recebeu numa conta na Suíça. De acordo com o delator, após deixar o Banco Itaú, ele montou seu próprio negócio: um fundo de investimentos.

À frente do empreendimento, conheceu Lúcio Bolonha Funaro. Apontado pela Polícia Federal como operador de Cunha, o agente financeiro convidou Cleto para ocupar uma sala em seu escritório, na capital paulista. Após aceitar a proposta, Cleto montou uma "mesa de operações financeiras" no escritório do novo amigo e, pouco tempo depois, foi apresentado por ele a Cunha.

Amizade feita, a relação comercial foi estabelecida em 2011, quando Funaro, via Eduardo Cunha, o indicou para o cargo na Caixa.

Propina

De acordo com Cleto, a relação com a empresas não era feita por ele. Ele contou que nunca pediu propina para ninguém, tarefa que cabia sempre a Cunha ou Funaro.

"Sabia pelo Eduardo Cunha o montante (da propina)", afirmou o delator, que se autointitula "um profissional de mercado". Segundo ele, o deputado lhe dizia que exigia comissões variáveis de até 1% do valor de cada projeto - 80% desse montante ficava com Eduardo Cunha. Cleto recebia quantias menores.

Cunha nega

Cunha afirmou que desconhece "o conteúdo da delação" de Cleto e que, por isso, não poderia comentar detalhes. "Reitero que o cidadão delator foi indicado para cargo na Caixa, pela bancada do PMDB/RJ, com meu apoio, sem que isso signifique concordar com qualquer prática irregular. Desminto, como aliás já desmenti, qualquer recebimento de vantagem indevida. Se ele cometeu irregularidades, que responda por elas", disse Cunha.

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