Vaccari: 'Não posso falar, só se a diretoria executiva autorizar'

São Paulo - O PT tem em seu ex-tesoureiro João Vaccari Neto um importante aliado. Preso desde abril de 2015, em Curitiba, quando foi capturado pela Operação Lava Jato, Vaccari tem se mantido em silêncio em todos os depoimentos à Polícia Federal. A cada pergunta, o ex-tesoureiro repete como um mantra: "Vou exercer o direito ao silêncio".

Há alguns meses, no entanto, Vaccari foi questionado sobre o esquema Consist e disse a interlocutores. "Não posso falar, só se a diretoria executiva autorizar."

Para contar o que sabe sobre o esquema Consist, empresa de software que teria desviado R$ 100 milhões de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento na gestão do marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vaccari sinalizou que precisava de um sinal verde do PT. O ex-tesoureiro do PT é acusado por organização criminosa, corrupção e lavagem.

Além da Operação Custo Brasil, Vaccari é investigado na Lava Jato e no Caso Bancoop.

Na Lava Jato, Vaccari foi condenado em duas ações penais. Na primeira, o juiz federal Sérgio Moro condenou o ex-tesoureiro do PT a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A sentença aponta que o ex-tesoureiro do PT intermediou repasse de R$ 4,2 milhões para o partido.

Em outro processo, por propina na Diretoria de Serviços da Petrobras, Vaccari pegou 9 anos de prisão por corrupção. Nesta ação, também foi condenado o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula).

Vaccari presidiu a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) entre 2004 e 2008. Durante sua gestão verbas destinadas à construção dos edifícios de apartamentos dos cooperados teriam sido desviadas. Ele nega todas as acusações do Ministério Público Estadual, que lhe imputa os crimes de formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica.

Defesa

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende o ex-tesoureiro do PT, afirmou: "Eu desconheço por completo essa suposta afirmação. O exercício do direito ao silêncio reside na vontade pessoal do sr. João Vaccari Neto."

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