Correios faz dança de cadeiras na diretoria, mas indicações políticas continuam

Brasília - O conselho de administração dos Correios aprovou nesta quarta-feira, 3, os nomes de seis novos vices-presidentes para a estatal, comandada por Guilherme Campos.

Os escolhidos ainda precisam ter os nomes referendados pela Casa Civil, órgão responsável por verificar se eles se enquadram nos critérios da nova lei de responsabilidade das estatais. A nova lei, sancionada pelo presidente em exercício Michel Temer, no fim de junho, estabelece dez anos de atuação em cargos de empresas do setor ou quatro anos em companhias similares como exigências de experiência profissional para os dirigentes de estatais.

Entre os seis nomes aprovados pelo conselho, apenas dois são funcionários de carreira: Eugenio Walter Pinchemel Montenegro, para vice-presidente corporativo, e Cristiano Barata Morbach, para vice-presidente da rede de agências e varejo.

Paulo Roberto Cordeiro, que já foi secretário do governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, do mesmo partido do presidente dos Correios e do ministro das Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), foi indicado para vice-presidente de serviços.

Henrique Dourado, que já comandou a Loteria Mineira e é afilhado do deputado federal Diego Andrade, do PSDB, foi aprovado como vice-presidente do negócio postal. Francisco Arsênio de Mello Esquef, do PR, foi escolhido para a vice-presidência de finanças. Darlene Pereira, para a vice de encomendas.

Para o representante dos trabalhadores no conselho, Marcos César Alves Silva, nenhum dos novos vices está apto a assumir o cargo se forem respeitados esses novos critérios. "As escolhas não levaram em conta a meritocracia nem critérios técnicos, não atendem às exigências de experiência em negócios correlatos da empresa", afirmou. Ele votou contra todas as indicações. "Nem mesmo os funcionários de carreira que foram alçados à vice-presidência foram escolhidos pelo destaque na carreira, mas apenas pelo respaldo de indicações políticas", completou.

Cada vice-presidente tem remuneração mensal de R$ 40,6 mil. A direção anterior estava sendo ocupada, em sua maioria, por indicados do PDT, partido do ex-presidente Giovanni Queiroz, médico e fazendeiro.

Da direção anterior, foram mantidos José Furian Filho como vice-presidente de logística e Heli Siqueira de Azevedo como vice-presidente de gestão de pessoas. O primeiro é funcionário de carreira da estatal, mas tem o respaldo do PMDB. Azevedo é da leva do PDT.

Mesmo com o monopólio da entrega de cartas pessoais e comerciais, cartões-postais e malotes, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) fechou no vermelho nos três últimos anos, sendo que em 2015 o prejuízo recorde foi de R$ 2,1 bilhões. A estatal ainda opera no vermelho - R$ 900 milhões nos cinco primeiros meses - e precisará de um empréstimo do Banco do Brasil para pagar salários e fornecedores. Segundo o presidente dos Correios, Guilherme Campos, a empresa precisa de uma capitalização de R$ 6 bilhões do Tesouro Nacional.

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