Para deputado petista, País vive 'tempos estranhos' onde juízes são celebridades

Brasília - Em indireta ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as investigações da Operação Lava Jato na primeira instância, o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) afirmou nesta quinta-feira, 4, que o Brasil vive "tempos estranhos", em que juízes e procuradores são celebridades. A declaração foi feita diante da presença do magistrado, durante audiência em comissão que debate medidas de corrupção na Câmara.

"Vivemos tempos pós-modernos, pós-democráticos. Tempos em que o sistema de Justiça aqui no Brasil ganhou protagonismo que considero indevido e autoritário. Tempo de juízes celebridade, de procuradores celebridades, e acho que isso é um cenário novo", disse o petista. "Sou do tempo em que juiz só falava nos autos do processo, que juiz não se pronunciava sobre seus casos", emendou.

Damous criticou alguns trechos do projeto com medidas de combate à corrupção que está sendo analisado pela comissão especial. Para ele, o fato de as medidas terem sido subscritas por 12 procuradores "não me comove". Ele disse conhecer outros procuradores e juízes que se opõem a muitos aspectos do projeto. "Não reconheço em ninguém as características de oráculo e de divindade", disse.

Moro rebateu os comentários de Damous e disse que o pacote é uma iniciativa do MPF e que não é apresentado com nenhuma "pretensão salvacionista". "O MPF não é profeta, muito menos eu. O pacote é apresentado como uma medida que, se aprovada, vai representar um avanço para o País. E é importante que o Congresso nos auxilie", disse o magistrado. Moro disse que é possível trabalhar com a legislação vigente, mas que se houver uma legislação nova seria muito melhor. "Os problemas prosseguirão, mas com uma melhora na constituição, isso facilita o trabalho no combate aos casos mais concretos", declarou.

O juiz comentou o apoio popular ao pacote de dez medidas do MPF e relembrou que a ação popular reuniu mais de 2 milhões de assinaturas. "Isso não é algo trivial. A sociedade saiu às ruas, de diversas correntes, mas nenhuma delas saiu defendendo a corrupção, então acho que o mais importante é essa questão", comentou. "Eu falo com toda a humildade, não falo com intenção de impor nada, mas acho que é importante o parlamento mostrar que está do lado da sociedade, que não suporta mais o quadro de corrupção sistêmica, e iniciar um ciclo virtuoso, mostrando aos procuradores que atuam mais diretamente nesses casos de que se tem o apoio institucional."

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