Para governo, pressão tucana é jogo de cena

Brasília - O Palácio do Planalto minimizou ontem as críticas feitas por líderes do PSDB de que o governo interino de Michel Temer está sendo condescendente com o afrouxamento do controle dos gastos públicos. Reportagem publicada na quinta-feira, 4, mostrou que alas tucanas cobram que a gestão do presidente em exercício deixe de fazer concessões após a votação final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Na avaliação de interlocutores de Temer, as queixas do PSDB não foram feitas diretamente ao Planalto e significam mais um "discurso para a plateia" e uma "pregação interna". Auxiliares do presidente em exercício lembram que os tucanos apoiaram a aprovação dos projetos de reajuste do funcionalismo. Também citam o fato de o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), ex-promotor, ter sido um dos que articularam, no projeto de renegociação das dívidas dos Estados com a União, a retirada do Ministério Público estadual das contrapartidas.

Sampaio é aliado próximo de Aécio Neves no PSDB. O senador mineiro, presidente nacional da legenda, tem feito críticas reservadas ao que chama de "leniência" e "flexibilidade" do governo no ajuste das contas.

O Planalto avalia ainda que o pano de fundo das críticas é a sucessão presidencial de 2018, na qual o governo poderia despontar com dois candidatos: o próprio Temer, conforme defendido em entrevista ao Estado no domingo pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles - que fez recuos no projeto da renegociação das dívidas.

Para o governo, houve um "exagero" nas reclamações e não há qualquer cenário de crise com os tucanos, considerados aliados importantes. Tanto é assim que Temer tentou jantar na terça e na quarta-feira desta semana com Aécio e outros parlamentares da legenda. Porém, por desencontro de agendas, o encontro foi transferido para a próxima semana.

O governo também atuou durante o dia para delimitar as críticas à entrevista e ao discurso do senador José Aníbal (PSDB-SP), suplente do chanceler José Serra. Na quinta, Aníbal defendeu um posicionamento "inflexível" de Meirelles para impedir a aprovação de concessões a projetos do ajuste fiscal, em especial da renegociação das dívidas. A fala de Aníbal, representante da ala serrista do PSDB, teve aval do presidente do partido.

O líder do governo no Senado, o tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP), conversou com Aécio e com o líder do PSDB na Casa, Cássio Cunha Lima (PB), para manifestar que o Palácio do Planalto está atento a eventuais concessões.

'Fechar a torneira'

Além das declarações de Aníbal, o Instituto Teotônio Vilela, braço de formulações teóricas do PSDB presidido por ele, publicou um texto em que afirma que o governo Michel Temer precisa "fechar a torneira dos gastos", uma vez que "a gaveta das bondades continua sem ferrolho".

Aécio, por sua vez, recebeu a visita do presidente da Câmara em casa. Na conversa, eles concordaram que há uma preocupação com a postura que o governo vai adotar após o impeachment. Maia tem atuado para distensionar o clima entre Temer e o PSDB, partido com três potenciais presidenciáveis - Aécio, Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, tentou ontem cumprir essa função de apaziguar os ânimos. "O PSDB tem um ministério importantíssimo, quem sabe o mais importante, tem a liderança do governo no Senado. Claro que alguém pode questionar algum tipo de ação do governo, não temos compromisso com o erro. Se amanhã o presidente Michel entender que deva ser mudada alguma posição, certamente mudará. Por enquanto, não há nenhuma mudança", disse Padilha durante passagem pelo Rio. (Colaborou Luciana Nunes Leal)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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