Agricultura é ainda maior ameaça às espécies, mas mudança climática preocupa

São Paulo - Com o avanço das emissões de gases de efeito estufa e o aumento da temperatura da Terra, há um temor dos cientistas de que nas próximas décadas as mudanças climáticas podem levar a uma massiva extinção de espécies. Mas antes que isso se torne um problema gritante, há outros grandes matadores em ação que trazem ameaças mais sérias a animais de todo o mundo e precisam ser controlados.

Esse é o alerta divulgado na edição desta quarta-feira, 10, da revista científica Nature. Pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) analisaram quais são os fatores que colocam em risco as 8.688 espécies diagnosticadas como ameaçadas ou perto de estarem ameaçadas na lista vermelha da IUCN.

Eles constataram que 72% delas (ou 6.241) sofrem com velhos problemas, como sobrecaça e sobrepesca e pressões da agricultura. São sobre-explotadas pelo comércio, recreação ou subsistência, em ameaças que muitas vezes vêm combinadas e se sobrepõem.

A caça ilegal, listam os autores, liderados por Sean Maxwell, colocam em risco, por exemplo, o rinoceronte de Sumatra, o gorila e o pangolim-chinês. Pelo menos 2.700 animais, ou um terço da lista vermelha, sofrem com caça, pesca ou tráfico de animais transformados em pets. A exploração madeireira impacta outras 4 mil espécies que são dependentes de florestas. Já a expansão e a intensificação da agricultura colocam em risco outras 5.407.

De acordo com os pesquisadores, as mudanças que já ocorrem com o aquecimento do planeta, como aumento de tempestades, inundações, temperaturas extremas e de secas além da variabilidade climática natural, afetam 19% das espécies analisadas, ou 1.688.

E, nas próximas décadas, alertam, devem ser um problema cada vez maior. Eles estimam que o aquecimento global deverá alterar o balanço dos fatores que ameaçam as espécies. "As mudanças climáticas se tornarão um problema cada vez mais dominante na crise da biodiversidade", escrevem.

Mas por isso mesmo, pedem que se aumente o controle sobre as ameaças atuais e já bem conhecidas. Para eles, é crucial que se impeça que a sobre-explotação e as atividades agrícolas de hoje comprometam os ecossistemas de amanhã. Se eles estiverem menos comprometidos, vão ser capazes de lidar melhor com as ameaças climáticas.

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