Processo de impeachment

Em almoço, velha turma do direito celebra o impeachment de Dilma

De São Paulo

  • Hélvio Romero/Estadão Conteúdo

    Miguel Reale Junior (centro) diz que é hora de "recolocar o Brasil nos trilhos"

    Miguel Reale Junior (centro) diz que é hora de "recolocar o Brasil nos trilhos"

O tradicional almoço de confraternização dos ex-alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), que ocorre sempre no dia 11 de agosto no Circolo Italiano, foi na quinta-feira (11) bem menos concorrido do que há um ano, quando um grupo de juristas aproveitou o encontro para lançar o primeiro manifesto pedindo a "renúncia imediata" da então presidente Dilma Rousseff.

Na ocasião, o movimento pelo impedimento não havia decolado no Congresso e tinha apoio tímido do PSDB. Tão tímido que tucanos presentes ao almoço, como Alexandre de Moraes, hoje ministro da Justiça, e José Gregori, ex-titular da pasta, não assinaram o documento.

Mesmo assim, 200 ex-alunos do Direito da USP chancelaram a iniciativa, entre eles o ex-petista Hélio Bicudo, o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Junior e a advogada Janaina Paschoal.

"Faz um ano que, nesse almoço, começou a aproximação da Janaina Paschoal com Hélio Bicudo. Posteriormente, eu também participei com eles da elaboração do pedido de impeachment. Essa é uma luta que foi vitoriosa", relembra Reale.

Faltando menos de um mês para a votação definitiva do afastamento de Dilma no Senado, o tema já não entusiasma mais os ex-frequentadores das arcadas do Largo de São Francisco.

Divergências

O clima do reencontro dos velhos amigos (e sem a presença de políticos) era de celebração, ainda que com moderação. Nas rodas das antigas turmas, o processo de impeachment de Dilma nunca foi uma unanimidade.

"Eu discordo deles. Não há fundamento jurídico para o impeachment. No fundamental, pode prejudicar a consolidação do Estado democrático de direito", pontuou Percival Maricato, da turma de 1975.

Já Virgilio Egídio Lopes, da turma de 1968, tem opinião contrária. "Dilma foi minha cliente entre 1970 e 1973, quando deixou o Presídio Tiradentes [onde ela cumpriu pena na ditadura, em São Paulo], em frente à Rota [da PM]. Sempre fui comunista e continuo sendo, por isso sou a favor do impeachment. É brincadeira chamar de golpe."

O líder da turma de ex-alunos, Flavio Flores da Cunha Bierrenbach, ex-ministro do Superior Tribunal Militar (STM), é menos incendiário, sem ocultar lado. Ele saudou o presidente em exercício, Michel Temer. "Há muito tempo não temos um ex-colega na Presidência", disse Bierrenbach.

Autor do pedido e ligado ao PSDB, Reale também foi comedido ao conversar com a reportagem. "Não é o momento de se pensar em Michel Temer como candidato. Tem tarefa muito maior. Recolocar o Brasil nos trilhos e recompor a harmonia entre os brasileiros", afirmou o jurista. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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