Sem troco, Metrô de SP já dá desconto para 3 em cada 10 usuários

Em São Paulo

  • Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

    No começo do ano, por falta de troco, o Metrô chegou a cobrar R$ 3,50 contra R$ 3,80 da tarifa integral

    No começo do ano, por falta de troco, o Metrô chegou a cobrar R$ 3,50 contra R$ 3,80 da tarifa integral

Em meio à crise econômica, o Metrô de São Paulo deixou de arrecadar R$ 2,7 milhões com a venda bilhetes unitários no primeiro semestre deste ano só por causa dos descontos por falta de troco. Do total de passagens adquiridas por usuários em estações da companhia, 30,5% tiveram algum tipo de abono. O Metrô afirma que o problema é provocado por queda na circulação de moedas e o valor corresponde a 0,3% da arrecadação tarifária.

O contratempo começou após o aumento da tarifa, em janeiro, quando o bilhete passou de R$ 3,50 para R$ 3,80. Quando ficam sem moeda suficiente, as bilheterias passaram a aplicar desconto a partir de R$ 0,05 e a limitar a compra a um bilhete por passageiro. Em alguns casos, as estações chegaram a vender a passagem por R$ 3 --21% abaixo da tarifa básica.

Dos 54,9 milhões de bilhetes vendidos no primeiro semestre deste ano, 16.758.185, ou 30,5%, tiveram desconto. O porcentual foi crescendo ao longo dos meses: enquanto em janeiro as passagens arredondadas representaram 4,75% do total, em junho esse número já era de 59,7%. O valor médio cobrado foi de R$ 3,64.

O impacto na arrecadação do Metrô foi de R$ 2,7 milhões, superior ao de outros sistemas de transporte. Ao todo, a companhia recolheu R$ 205,3 milhões. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que também é administrada pelo governo do Estado, vendeu 1.915 bilhetes unitários magnéticos com desconto. O prejuízo foi de R$ 133,25.

Já a São Paulo Transporte (SPTrans), da prefeitura, que administra o sistema de ônibus, disse não ter registrado perda, uma vez que o repasse das viações por passagem vendida é fixo.

Segundo o engenheiro de tráfego Horácio Augusto Figueira, a diferença se explica pelo fato de que os usuários da CPTM são geralmente moradores de cidades-dormitório e precisam usar o sistema diariamente. "Por ser planejado, eles usam mais o Bilhete Único e compram menos os unitários", diz. O Metrô seria mais usado por turistas, além de estudantes e trabalhadores temporários, que recorrem às bilheterias.

Os descontos nas estações fizeram o assistente de suporte técnico Gabriel Assis, de 21 anos, preterir utilizar o bilhete único. "Na bilheteria quase sempre tem desconto. No Bilhete Único não tem jeito", diz. Na maioria dos casos, ele usou o Metrô por R$ 3,50. "Foi para lá de dez vezes. No final do mês, dá para economizar um bom dinheiro."

A mesma opção é feita por passageiros que não precisam fazer integração no sistema de transporte. Usuária da CPTM, a arrumadeira Elisângela Fernandes, de 30 anos, também prefere encarar a fila da bilheteria para voltar para casa em Suzano, na Grande São Paulo. "Eu tenho Bilhete Único, mas aqui fica mais em conta", diz.

Já a diarista Socorro Lima, de 45 anos, teve receio de comprar a passagem quando soube do desconto na bilheteria do Metrô. "Mas quando eu vi que tinha uma placa avisando da falta de troco, comprei."

Moedas

O efeito do arredondamento da tarifa básica do Metrô representa 0,3% da arrecadação tarifária, segundo a companhia. "Como é sabido, o Metrô, assim como o comércio em geral, tem enfrentado o problema da falta de moedas em circulação, admitido pelo próprio Banco Central", disse, em nota.

A companhia afirmou que solicita, desde o início do ano, aumento na cota de distribuição de moedas e também faz campanhas para uso de moedas. Já a CPTM disse que abastece bilheterias com moedas e cédulas de menor valor todos os dias, além de ter intensificado campanha como a do Metrô.

O Banco Central disse que a produção de moeda foi afetada desde 2014 por "necessidade de redução de despesa pública", mas que a área técnica tem administrado os estoques para atender às demandas. "Já foram tornadas disponíveis, até 19 de agosto, 352 milhões de unidades de novas moedas." As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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