'Equivale às explosões do EI', diz Brecheret sobre pichação em monumento do pai

Em São Paulo

  • Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo

    Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, em São Paulo, amanhece pintado com tintas de várias cores

    Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, em São Paulo, amanhece pintado com tintas de várias cores

O engenheiro civil Victor Brecheret Filho disse que a pichação na escultura do pai, o Monumento às Bandeiras, localizado entre o Parque do Ibirapuera e a Assembleia Legislativa, foi um ato equivalente às explosões e demolições protagonizados pelo grupo extremista EI (Estado Islâmico) em monumentos da Síria.

A escultura de Victor Brecheret amanheceu coberta de tinta colorida nesta sexta-feira (30), bem como a estátua do Borba Gato, em Santo Amaro, os dois na zona sul de São Paulo. Em ambos, os pichadores usaram as mesmas cores: rosa, verde e amarelo.

"É um ato de barbárie, que equivale, com a devida escala, àquelas explosões do Estado Islâmico, que demoliram monumentos milenares do patrimônio da humanidade. Puseram dinamite no que é herança cultural, com dois mil anos de história. É uma raiva. Uma pena", afirmou Brecheret Filho à reportagem.

Brecheret Filho lamentou a ação e disse que está "indignado". O filho do escultor afirmou não ter ideia de quem pode ter pichado o monumento. "Se tem motivação política, é uma lástima. Quem fez pode estar aproveitando um momento político, contrário a alguma ideia que ele tenha, para se vingar da sociedade. Acho lastimável. (Pichar o monumento) não é um ato de protesto, um ato político".

O engenheiro acompanhou a limpeza do monumento na manhã desta sexta-feira e disse que a preocupação é com a sequência dos atos. Nos cálculos dele, esta é a 8ª vez que a escultura é alvo de pichação. "Acho que isso é uma crescente, uma sequência. Precisamos encontrar alguma forma de ajudar a interromper as pichações em geral", defendeu.

Executado por Victor Brecheret, o Monumento às Bandeiras - apelidado de "empurra-empurra" pelos paulistanos - retrata o esforço dos bandeirantes para desbravar o Brasil. Estão representadas 29 figuras humanas, entre portugueses, negros, mamelucos e índios. Eles puxam uma canoa de monções, utilizada nas expedições fluviais. Com 240 blocos de granito de 50 toneladas, a escultura foi encomendada pelo governo paulista em 1921 e inaugurada em 1954.

Já a estátua representa Manuel Borba Gato, que acompanhou a expedição do bandeirante Fernão Dias Paes Leme (1608-1681), conhecido como O Caçador de Esmeraldas. Borba Gato foi administrador de estradas e juiz de Sabará.

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