No Rio, ‘chute na santa’ entra na campanha

Rio, 22/10/2016 - O "chute na santa" entrou na campanha eleitoral do Rio. Em mais um lance da tentativa de "desconstrução" da candidatura do adversário pelo PRB, senador Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, a campanha do candidato do PSOL à prefeitura carioca, Marcelo Freixo, resolveu recordar o episódio, ocorrido há 21 anos e que atingiu duramente a Iurd.

A propaganda psolista começou a veicular ontem na televisão uma inserção que reproduz o vídeo em que o bispo da igreja Sérgio Von Helder aparece chutando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro de 1995. Simultaneamente, o anúncio reproduz uma gravação do adversário cantando uma música em que supostamente debocha do caso, com fotos do parlamentar. A campanha de Crivella - que já negou que a canção se refira ao incidente - afirmou que se trata de uma "montagem grosseira". Anunciou que recorrerá à Justiça Eleitoral contra a peça.

"Você se lembra do bispo que chutou a Padroeira do Brasil na TV?", pergunta um locutor, enquanto aparecem imagens de Von Helder chutando a imagem e uma foto de Crivella. "Ele foi sócio de Crivella em negócios da Universal. Mas você conhece essa música?" Em seguida, entra a canção, na voz do hoje senador, aparentemente misturada a outras, com destaque para a letra projetada na tela. "Na minha vida, dei um chute na heresia, houve tanta gritaria de quem ama a idolatria", diz a letra. A crítica à adoração de imagens, que seria feita por católicos, é uma das bases do evangelismo neopentecostal.

O locutor volta ao ataque. "Crivella gravou esse CD para defender o bispo Macedo e debochar da agressão aos católicos", afirma, enquanto surge uma foto em que Macedo, que é tio de Crivella, é preso, com a imagem da capa do CD e o título: "Como posso me calar?" Aparece nova foto de Crivella, com sua voz cantando mais um verso: "Se ela é Deus, ela mesmo me castiga". O narrador retorna, e, em tom severo, pergunta: "É isso que vc quer para o Rio?".

O incidente de 1995, que ficou conhecido como "chute na santa", ocorreu no programa televisivo Palavra de Vida, transmitido ao vivo pela TV Record, ligada à Iurd, durante a madrugada. O episódio gerou investigações e protestos de líderes religiosos. Depois dele, Von Helder foi viver no exterior, rompeu com a Universal e se aproximou da Igreja da Restauração. Voltou ao País em 2014, para representá-la.

A campanha de Freixo para tentar fazer Crivella "derreter", segundo informou o Estado anteontem, começou depois que foram contratados pelo PSOL profissionais que trabalharam antes para o PMDB e o PSDB. Eles explicaram ao candidato do PSOL que, sem uma postura mais dura, não teria chances no segundo turno. A partir daí, a propaganda de Freixo abandonou o tom ameno e passou a atacar Crivella. O senador foi acusado de ter ligações com o ex-governador Anthony Garotinho, cujo partido, o PR, integra sua coligação.

O PSOL também o acusou de ser apoiado por milicianos, depois que Carminha Jerominho, filha de Jerônimo Guimarães, o Jerominho, afirmou apoiá-lo. Outras acusações foram ser intolerante com homossexuais e integrantes de outras religiões e de ter pregado o uso da fé para obter dinheiro de fiéis.

Depois do início da campanha de desconstrução, a diferença entre os dois candidatos caiu nove pontos no Ibope. Segundo pesquisa feita pelo instituto, divulgada anteontem, Crivella ainda lidera por 46% a 29%. Na sondagem anterior, a diferença era de 51% a 25%. A distância ainda é grande: 17 pontos pró-Crivella nos votos totais e 22 nos votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos): 61% a 39%.

Contra-ataque

O senador, que se aproximou de personalidades com trânsito na esquerda e no samba para tentar mudar a sua imagem, tem respondido que deu declarações infelizes no passado, quando era jovem, mas mudou e agora prega a tolerância e a liberdade. Crivella acusou o adversário de manipulação e mentiras para tentar indispô-lo com setores do eleitorado. E contra-atacou: acusou Freixo de pretender abrigar o PT em seu eventual governo e chegou a afirmar que o psolista quer criar no Rio uma "república bolchevista via impostos". Ele também acusa Freixo de ter ligações com os black blocs e suas ações violentas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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