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Ibama aponta atraso em obras para conter rejeitos da Samarco

Rompimento da barragem completa um ano no próximo dia 5 - Fred Loureiro/Secom (ES)
Rompimento da barragem completa um ano no próximo dia 5 Imagem: Fred Loureiro/Secom (ES)

Em Belo Horizonte

25/10/2016 10h30

Um balanço apresentado nesta terça-feira (25) pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) aponta atraso na obra para contenção de rejeitos na barragem da Samarco, em Mariana (MG), que se rompeu há quase um ano, e na recuperação da região. O documento afirma ainda que há atrasos no repasse de recursos a municípios para investimentos em saneamento. O rompimento da barragem completa um ano no próximo dia 5.

Em relação às obras, a presidente do Ibama, Sueli Araújo, afirmou que serão suficientes, mas que o atraso, juntamente com o início das chuvas, traz um "desafio" para o momento.

"Com a chuva você não sabe o que vai ocorrer entre Fundão [a barragem da Samarco que ruiu] e Candonga [a represa hidrelétrica que fica no rio Doce, curso d'água que recebeu a maior parte dos rejeitos, a cerca de 100 quilômetros do local do acidente)." A estrutura conteve parte dos rejeitos que vazaram de Fundão no dia 5 de novembro.

De acordo com o Ibama, há hoje 43,5 milhões de metros cúbicos de metros cúbicos de lama entre Fundão e Candonga. "Reconhecemos o atraso. Não estamos falando que está bem. Falamos que está monitorado", disse Sueli.

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As medidas que vêm sendo tomadas foram definidas no acordo fechado entre a Samarco e suas controladoras, Vale e BHP Billiton, com a União e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

O acordo foi questionado na Justiça pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais, que alegou não ter havido participação da população. A Justiça ainda não decidiu se o acordo valerá ou não. "[O termo] é válido entre as partes independente da decisão judicial", afirmou Sueli. As obras estão a cargo da Samarco.

A presidente do Ibama disse ainda R$ 50 milhões, de um total de R$ 500 milhões previstos no acordo, para municípios investirem em água e esgoto estão atrasados. A justificativa foi o período eleitoral, segundo Sueli.

Em função das chuvas, conforme a presidente do Ibama, existe a possibilidade de aumento da turbidez da água no rio Doce, prejudicando a captação de água para consumo humano.

A presidente do Ibama afirmou ainda que um plano de ação emergencial será implantado para informar a população sobre cuidados a serem tomados em caso de aumento do carreamento de rejeitos para o rio Doce e afluentes. O aumento da turbidez pode indicar presença de metais pesados na água.