Giles nega ao TSE pressão para receber doação da Andrade Gutierrez

Brasília - Em depoimento prestado na noite desta quarta-feira (9) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-chefe de gabinete da ex-presidente Dilma Rousseff Giles Azevedo negou ter pressionado o executivo Otávio Azevedo para a liberação de doações para a campanha da petista em 2014. Segundo Giles, as doações feitas à campanha de Dilma foram legais.

Em setembro, Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, afirmou ao TSE que houve pagamento de propina disfarçado de doação oficial à campanha que elegeu Dilma e Michel Temer.

"Houve uma grande polêmica - grande polêmica com os arrecadadores da campanha da presidente Dilma, que eram o Edinho (Silva, que foi tesoureiro da campanha) e o Giles -, que eles começaram a reclamar muito, em agosto, que nós não estávamos dando dinheiro para a campanha, não tinha dado, diretamente, nada", afirmou Otávio Azevedo, que mencionou uma "pressão horrorosa do Giles".

Testemunha de defesa de Dilma, o ex-chefe de gabinete da petista negou ter pressionado o executivo. Fechado à imprensa, o depoimento de Giles ocorreu numa sala em um dos prédios do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Os depoimentos das testemunhas servem para instruir as ações contra a chapa Dilma/Temer que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As ações foram propostas pelo PSDB entre o final de 2014 e início de 2015 e investigam suposto abuso de poder político e econômico na última disputa presidencial.

Acareação

Nesta quarta-feira (9), o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin decidiu que será realizada uma acareação entre Otávio Azevedo e Edinho. A acareação foi marcada para o dia 17 de novembro, na sede do TSE, em Brasília.

A decisão do ministro, relator do processo, foi tomada depois de a defesa de Dilma apresentar ao TSE uma série de documentos que apontam que Temer foi o beneficiário de uma doação de R$ 1 milhão feita pela Andrade Gutierrez, uma das empreiteiras que estão na mira da Operação Lava Jato.

A defesa da petista alega que os documentos contradizem a versão de Otávio Azevedo, que afirmou em depoimento que a campanha eleitoral de Dilma recebeu do Diretório Nacional do PT o valor de R$ 1 milhão, tendo a Andrade Gutierrez como doadora originária. O dinheiro teria origem ilícita, oriundo de desvios em contratos firmados entre a empresa e o governo federal. (Rafael Moraes Moura)

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