Oposição na Câmara vai pedir convocação de Geddel e Calero

  • Fernando Vivas/Agência Estado

Brasília - A oposição na Câmara dos Deputados vai pedir a convocação do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, e do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero para que expliquem a pressão política que teria sido feita por Geddel para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) liberasse a construção de um imóvel em Salvador (BA). A oposição quer uma acareação entre os dois para falar sobre o assunto.

Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", edição deste sábado (19), Calero disse que um dos principais motivos que o levaram a pedir demissão do cargo nessa sexta-feira (18), foi pressão feita por Geddel para que o Iphan aprovasse o projeto imobiliário La Vue Ladeira. Segundo o jornal, o empreendimento está previsto para ser construído nos arredores de uma área tombada da capital baiana, base eleitoral de Geddel.

"Vamos chamar os dois na Câmara. Calero, para deixar mais explícitos os motivos que levaram a seu pedido de demissão. E Geddel, para que explique a acusação. Eles vão ter de dar explicações ao Poder Legislativo", afirmou a líder da minoria na Casa, deputada Jandira Feghali (PcdoB-RJ). Segundo ela, a convocação deve ser pedida nas comissões de Cultura ou de Fiscalização e Controle, ambas presididas por deputados do PT.

Jandira disse que pedirá uma acareação entre os dois ministros na comissão. Ela afirmou, ainda, que entrará com pedido de afastamento de Geddel do governo até que a situação seja esclarecida. Para a deputada, a pressão que teria sido feita por Geddel mostra a face "improba" do governo Michel Temer. "A essa altura, a gente não sabe se ele (Calero) pediu demissão ou se foi demitido por ter se recusado a autorizar uma obra por Geddel, um cara importantíssimo no governo", afirmou.

O líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (SP), também reforçou que vai pedir a convocação de Geddel e disse que poderá representar contra o ministro da Secretaria de Governo na Comissão de Ética da Presidência da República. "O Geddel devia se demitir imediatamente. Isso que aconteceu é a lógica de um governo fisiológico, clientelista e mandonista. (…) Ele tem que responder publicamente e prestar contas ao parlamento", afirmou.

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