Decisão de suspender Venezuela do Mercosul 'é precedente perigoso', afirma Dilma

  • Evaristo Sá/AFP

Brasília - A ex-presidente Dilma Rousseff divulgou, neste sábado (3), uma nota na qual critica a decisão de suspender os direitos da Venezuela como sócia no Mercosul. Segundo a petista, a medida anunciada pelos governo de Brasil, Argentina e Paraguai é um "um ato e precedente perigoso e irresponsável pois compromete a convivência entre as nações da América do Sul".

"Só faz política externa com porrete e ameaças um país imperial. Nação democrática tampouco desrespeita a soberania de um país-irmão", afirmou.

Para Dilma, a suspensão é um recurso extremo e inadequado. No entanto, destacou, "não se pode esperar muito do governo ilegítimo que usurpou o meu mandato por meio de um golpe parlamentar travestido de impeachment".

"A medida mostra a pequenez do governo do Brasil diante das exigências da América Latina", afirmou Dilma.

Leia a íntegra

"NOTA À IMPRENSA

A decisão de suspender a Venezuela do Mercosul, anunciada pelos governos do Brasil, Argentina e Paraguai, é um ato e precedente perigoso e irresponsável pois compromete a convivência entre as nações da América do Sul.

Só faz política externa com porrete e ameaças um país imperial. Nação democrática tampouco desrespeita a soberania de um país-irmão.

A justificativa para a retaliação é inconsequente porque dos 41 acordos dos quais é exigida a adesão da Venezuela, o próprio Brasil não ratificou pelo menos cinco deles. Outros países do Mercosul também não adotaram algumas dessas normativas.

A suspensão é um recurso extremo e inadequado. No entanto, não se pode esperar muito do governo ilegítimo que usurpou o meu mandato por meio de um golpe parlamentar travestido de impeachment.

A medida mostra a pequenez do governo do Brasil diante das exigências da América Latina."

Venezuela diz que permanecerá no Mercosul mesmo com suspensão

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