Motivos menos republicanos prevalecem em muitas CPIs, afirma Delcídio

São Paulo - O senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS) afirmou que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), que deveriam ser criadas para investigar irregularidades, têm sido movidas nos últimos anos por motivos menos republicanos e não trazem resultados concretos. "Isso é muito triste", disse.

Delcídio fez essa avaliação em entrevista à Rádio Estadão, na manhã desta quarta-feira, 7. O senador cassado fez a análise quando perguntado sobre as acusações do deputado Marco Maia (PT-RS), que foi um dos alvos da última fase da Lava Jato, contra ele. Maia disse que a delação de Delcídio, que iniciou a ação da força-tarefa, foi motivada por vingança e que o senador cassado "mente" ao acusá-lo de cobrar "pedágio" de empreiteiros para livrá-los de convocação para comissão parlamentar de inquérito mista da Petrobras de 2014.

Delcídio disse à Rádio Estadão que Maia não deveria se preocupar com ele, porque ele é "pequenininho" nessa história e que as provas concretas do esquema foram apresentadas pelos empresários que foram "achacados" pela CPI. "Minha colaboração é política, não tenho planilha, não tenho cheque, mas dei minha colaboração porque era líder de governo e pelo meu conhecimento da Petrobras. Mas basta ver o relatório da CPI (de Maia), foi um relatório pífio."

Na crítica, Delcídio fez questão de afirmar que esse "desvio de finalidade" não foi exclusividade dessa CPI e que fatos semelhantes já ocorreram em outras CPIs que investigaram a Petrobras e outras empresas, que terminaram sem resultados concretos, muitas vezes, sem a apresentação de relatório. Delcídio deu como exemplo a CPI do setor elétrico. "Essa CPI foi inacreditável, cria-se CPI para 'tungar' alguém."

Para ele, o divisor de águas foi a CPI dos Correios, que trouxe muitos resultados concretos. "Depois dessa, ficou o dito pelo não dito e os motivos não republicanos prevaleceram."

Lava Jato

O senador cassado ainda disse que a Lava Jato deve ter um trabalho grande em 2017, quando devem ser esclarecidos os principais ponto de investigação da operação. Contudo, Delcídio considerou que os desdobramentos da investigação devem continuar nos próximos anos.

Delcídio confirmou, na entrevista à Rádio Estadão, a veracidade de seus depoimentos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que disse que ele sabia de todos os desvio da Petrobrás. Lula nega envolvimento. Sobre o fato de que os advogados do ex-presidente devem entrar com um processo contra ele, Delcídio disse apenas que os defensores estão fazendo o que é conveniente para o cliente.

O senador cassado reiterou que se arrepende de ter obstruído a Justiça, na própria Lava Jato. "Errei pela soberba", disse. Mas completou afirmando ter certeza de que está ajudando as investigações e que sua colaboração foi focada em pessoas que foram mentoras do esquema da Petrobras, investigado pela Lava Jato.

Delcídio ainda elogiou a gestão de Pedro Parente à frente da Petrobras e disse que a empresa vai "caminhar para o lugar certo" sob seu comando.

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