Renan diz que chances de se encontrar irregularidade em suas contas é 'zero'

Julia Lindner

Em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

Em nota divulgada na noite desta sexta-feira (9), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que "a chance de se encontrar irregularidades em suas contas pessoais ou eleitorais é zero". A declaração foi feita em resposta ao vazamento do acordo de delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho à força-tarefa da Operação Lava Jato.

Renan diz também que "jamais autorizou ou consentiu que terceiros falassem em seu nome em qualquer circunstância". "O senador ressalta ainda que suas contas já são investigadas há nove anos", diz o texto divulgado pela assessoria de imprensa da presidência do Senado.

Em depoimento à Lava Jato, Melo Filho afirmou que parte de um valor prometido pela construtora ao PMDB na campanha eleitoral de 2014 foi entregue em dinheiro vivo no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e assessor do presidente Michel Temer. Outros caciques do PMDB também foram criados na delação, como Romero Jucá (RR) e Eunício Oliveira (CE), que também negam irregularidades.

Cláudio Melo Filho, de acordo com a delação, afirmou ter participado de pagamentos ao PMDB que superam os R$ 22 milhões. Em contrapartida, a Odebrecht exigia benefícios no Congresso que passavam por medidas de regimes tributários, parcelamento de dívidas e acordos da indústria petroquímica.

Alckmin é citado por outros delatores

A delação de Cláudio Melo Filho não foi a primeira a vazar nesta sexta-feira. Pela manhã, a Folha revelou com exclusividade que outros executivos da Odebrecht ouvidos nesta semana citaram repasses em forma de caixa 2 para as campanhas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Segundo os delatores, sendo um deles o ex-diretor Carlos Armando Paschoal, a propina nunca foi negociada diretamente com Alckmin, mas foi repassada, em dinheiro vivo, a pessoas próximas ao governador nos pleitos eleitorais de 2010 e 2014 ao governo do Estado.

Em 2010, segundo relatos obtidos pela Folha, o repasse de R$ 2 milhões foi feito a Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama, Lu Alckmin. Já em 2014, o caixa 2 - cujo valor não foi revelado - teve como um dos operadores Marcos Monteiro, hoje secretário de Planejamento.

'Delação do fim do mundo'

A Odebrecht assinou no dia 1º de dezembro o acordo de leniência com os procuradores da Lava Jato. No dia seguinte, foi concluído o processo de assinatura de acordos de delação premiada de 77 executivos do grupo.

Para que as delações sejam homologadas (validadas) pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki, os executivos precisam prestar depoimentos aos procuradores detalhando os fatos que apresentaram de maneira resumida ao longo da negociação, nos chamados anexos. A expectativa é que todos estejam concluídos até o fim deste ano.

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