Jornalista Anélio Barreto morre aos 72 anos no interior de São Paulo

Morreu nesta segunda-feira aos 72 anos, em Holambra, interior de São Paulo, o jornalista Anélio de Oliveira Barreto Neto. Deixa a mulher, Maria Lúcia Carneiro, e a filha, Patricia Barreto. Anélio Barreto trabalhou longamente nas redações do Grupo Estado, ocupando cargos de edição e chefia - foi editor executivo, editor chefe, gerente de jornalismo, secretário de Arte e editor de área. Todavia, a função de repórter foi a que se dedicou mais e a que o definiu profissionalmente.

Em 1968 integrou a equipe do Jornal da Tarde, o vespertino que se transformou em uma referência de forma e conteúdo na produção de veículos impressos brasileiros.

Até então fora bancário, e a respeito da mudança radical, brincava dizendo que havia parado de contar dinheiro para passar a contar histórias.

Em 1984 deixou o JT para criar a Afinal, revista semanal de informações, no grupo liderado por jornalistas como Sandro Vaia, falecido, ex-diretor de redação do Estado, e Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Rede Bandeirantes. Voltaria à empresa anos depois, trazendo na bagagem a experiência de ter vivido um período em Angola quando o país, ainda devastado por 28 anos de guerra interna, começava a cumprir o processo de reconstrução. Anélio, o repórter, era também um sofisticado criador gráfico, inovador e por consequência, ganhador de prêmios. Há três anos lançou seu último livro, 'Histórias que os jornais não contam mais'( Belaletra Editora), uma coletânea de 15 reportagens de engenhosa apuração, estilo atraente e bom acabamento - a formula da leitura garantida - publicadas entre 1968 e 2005. Entre o farto material, a metade das 432 páginas é dedicada ao trabalho sob o título Rua Cuba, de 1989. Barreto adota uma abordagem de novela policial para relatar um crime, envolvendo uma família de classe média alta, em que pai e mãe teriam sido assassinados pelo filho em circunstâncias nebulosas.

Pouco tempo após sair do Grupo Estado, em 2009, Anélio Barreto foi morar no Guarujá, um sonho antigo. Há três anos mudou novamente, para a pequena Holambra, próxima de Campinas, a cidade onde nasceu e onde foi sepultado. Pretendia escrever um novo livro, das reportagens que pretendia ter escrito em outra época, adiara ou não publicara. Viajante, queria registrar experiências como de sua primeira passagem por Roma quando, ainda muito jovem, havia levado como lembrança o caco de uma coluna do Forum histórico. O gesto o incomodou durante mais de 30 anos - até que, na última visita, devolveu o fragmento de pedra, recolocado no mesmo lugar de onde havia saído.

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