As pessoas merecem tratamento que foi dado por ocasião dos Jogos, diz secretário

Rio - O novo secretário de Segurança Pública do Rio, Roberto Sá, assumiu o cargo há dois meses, no momento mais agudo da crise financeira do Estado. Até então subsecretário de Planejamento e Integração Operacional, ele não teve acréscimo salarial com o aumento da responsabilidade, por causa do corte de 30% feito nos vencimentos pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), uma das medidas para minorar o rombo nas contas. "Tive aumento de trabalho e diminuição do salário. Esse cara é louco, não é? Eu me senti convocado para uma missão. Não sei se vou conseguir. Mas achei que tinha de dar mais uma cota de contribuição", disse ao jornal O Estado de S. Paulo na segunda-feira, 19. Leia os principais trechos da entrevista.

Como avalia o aumento da violência no ano da Olimpíada, em que o Rio foi irrigado de verbas?

Foram 11 meses com indicadores altos. O Estado é muito maior do que a Olimpíada. Para reverter isso, estamos projetando ações mesmo com menos recursos. A gente não vai desistir. Já começam a aparecer com muito mais frequência operações que envolvem a delegacia da área, o batalhão da PM da área, a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Quanto maior for a integração das forças de segurança, melhor será o sistema.

O que o motiva no cargo?

Eu sou um delegado da Polícia Federal, mas fui tenente e capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Entrei na polícia aos 18 anos (hoje tem 52). Ao fim da minha carreira, quando sou convidado para o desafio de poder contribuir um pouco mais, eu não consegui dizer não, mesmo com toda a dificuldade. Quero qualificar a discussão sobre segurança pública. Não é trivial morrerem quase 60 mil pessoas no Brasil por violência dolosa. Não é trivial o Rio apreender 20 armas de fogo por dia. Sei que é uma missão muito árdua. Não me iludo com um sonho utópico.

Como contornar a desmotivação e a queda da produtividade dos policiais com a crise?

Sem dúvida, quando você afeta o salário, desmotiva o profissional. Mas se eu fosse fazer uma correlação direta com a produtividade, era para estar muito pior. Vejo muito empenho nas polícias. Compreendo quem se desmotiva, tem razão, mas a maioria ainda está fazendo do seu trabalho uma atividade prioritária para a sociedade.

O senhor sucede o secretário José Mariano Beltrame, "o pai das UPPs", que saiu bem avaliado depois de dez anos no cargo, apesar da crise do modelo. O projeto fracassou?

Hoje são 38 UPPs, algumas passando por um recrudescimento de violência, o que requer reflexão e medidas de resposta. O que posso dizer é que os resultados foram tão importantes, principalmente os iniciais, que a gente tem a obrigação de fazer o possível para manter as conquistas e aperfeiçoar os processos. Neste mês fizemos a primeira reunião de um comitê permanente de avaliação de desempenho. Não quero ser reativo, mas proativo. A UPP não fracassou. É lógico que já esteve melhor, mas como modelo tático até hoje não encontrei estratégica melhor.

Qual foi o legado da Olimpíada para a segurança?

Um dos legados é a atuação do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). Quero um núcleo de inteligência lá para acompanhar a criminalidade violenta. As pessoas que vivem aqui merecem o tratamento que foi dado por ocasião dos Jogos Olímpicos.

Qual o panorama para 2017?

Se os policiais estiverem recebendo salário em dia, tenho otimismo de que a gente pode tentar reduzir a violência. E meu planejamento é para reverter essa tendência de elevação dos índices e começar a tendência de queda. Não vou sentar sobre um cenário de crise e deixar as coisas acontecerem.

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