Pegos de surpresa, passageiros se revoltam com aumento da tarifa em SP

  • Guilherme Stutz/Futura Press/Estadão Conteúdo

São Paulo - O governo Geraldo Alckmin (PSDB) manteve o aumento nas tarifas de integração entre ônibus e transportes sobre trilhos mesmo após decisão judicial proferida na última semana ter impedido a mudança. Quem utilizou ônibus e metrô ou trem nesta segunda-feira já pagou o valor mais caro pela transferência, que passou de R$ 5,92 para R$ 6,80.

Segundo funcionários dos guichês para compra das passagens ouvidos pela reportagem, a mudança passou a valer desde domingo, 8. O governo do Estado alega que ainda não foi notificado da decisão judicial.

Na Estação Pinheiros, na zona oeste da cidade, paulistanos foram pegos de surpresa pelo valor mais caro das passagens. A diarista Ana Custódio da Silva, de 52 anos, disse que não recebe vale-transporte e precisará economizar mais. Ela vai de Embu Guaçu, na região metropolitana da cidade, até o trabalho em Perdizes, na zona oeste da capital.

"Faço esse caminho três vezes por semana. Fica tudo mais caro. A gente vai pagando as contas, mas continua devendo", contou.

O soldador Francisco Francelino Brito, de 48 anos, nem sabia do aumento e começou a contar o dinheiro quando foi abordado pela reportagem na fila da passagem no Terminal Pinheiros.

"Subiu quando? Nem estava sabendo de nada", disse Brito. Ele saiu do Butantã, na zona oeste, e ia até a Chácara Klabin, na zona sul, trajeto em que disse pegar ônibus e metrô.

Na mesma fila estava a aposentada Maria Lúcia Cardoso, de 52 anos. "O prefeito (João Doria, do PSDB) foi eleito prometendo não aumentar o valor da passagem, mas aí aumentam o valor da integração. Aí não adianta", disse. "Acho que um dos motivos principais de terem votado nele era de não subir a passagem."

Diferentemente da integração, a promessa de Doria, de manter o valor unitário da passagem a R$ 3,80, foi mantida.

Quem também se preocupou com a alta no valor da tarifa foi a desempregada Maria Joelma Nascimento, de 41 anos, que veio de São Mateus, na zona leste, para fazer um tratamento com a filha de 7 meses, Larissa, em um médico em Pinheiros.

"É um absurdo. Já tenho que pegar cinco conduções para ir e outras cinco para voltar. E agora ainda pagar mais caro", reclamou Maria Joelma.

No fim da manhã, Alckmin afirmou que a administração estadual recorrerá nesta segunda-feira da decisão judicial, em caráter liminar, que suspendeu os reajustes nas tarifas integradas. "Entendemos que essa decisão (de reajustar o valor da integração) é a mais correta, beneficia mais pessoas e quem mais precisa", afirmou o governador.

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