Em encontro com Moraes, secretários questionam origem dos recursos do plano

Brasília - Presentes na reunião comandada pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, secretários de segurança estaduais da região Norte questionam a origem dos recursos para as ações previstas no Plano Nacional de Segurança Pública e ameaçam não assinar a carta de "compromissos" redigida pelo governo federal. Após uma pausa no início da tarde, novas reuniões, realizadas em Brasília, deverão acontecer ao longo do dia.

Ao deixar o encontro com Moraes, o secretário de Defesa e Cidadania de Rondônia, coronel Lioberto Caetano, ressaltou que o plano apresentado pelo governo não atende às necessidades dos Estados. A reunião também contou com a participação de representantes e/ou secretários estaduais de todo o País, que atuam na área de segurança pública.

A pauta das conversas é a efetivação do Plano Nacional de Segurança Pública. Os compromissos firmados no documento em discussão deverão ser assinados pelos governadores, em evento previsto para ser realizado nesta quarta-feira (18) no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Michel Temer.

"Vamos fazer o combate de fronteiras? Então, diga da onde virão os recursos. Quem vai atuar. O governo federal vai ter que custear isso. Ai sim vamos assinar essa carta. Se não, não podemos assinar essa carta. É uma irresponsabilidade muito grande", afirmou o coronel Caetano. "Se o governo não mostrar a origem dos recursos, os governadores não vão assinar isso. Nós vamos assessorá-los. A gente assina se for uma coisa que atenda efetivamente. O Brasil já passou pela experiência necessária de testes. Não estamos mais na fase de testes", emendou.

Segundo ele, o resumo do plano apresentado no encontro de hoje não atende as características e especificidades de cada Estado. "Construir presídio não resolve. Construir presídio aumenta o número de preso, mas vai aumentar o também gasto com pessoal. Não temos mais condição de gastar com pessoal. A nossa verba não é igual à saúde que tem destinação de 25%", afirmou.

Presente na reunião, o secretário de Segurança do Amazonas, Sérgio Fontes, também endossou o apelo do colega de Rondônia. Segundo ele, houve um "pedido geral" dos secretários de segurança estaduais para saber "de onde vai sair a verba para as ações".

Sérgio Fontes considera que as medidas emergenciais propostas pelo governo são um "passo positivo" para "apagar o incêndio" da crise penitenciária, mas é preciso avançar no combate às causas do crime organizado.

Entre as medidas, o governo federal se comprometeu com a construção de cinco novos presídios federais; fornecimento de equipamento de detecção de metais; bloqueio de aparelhos telefônicos, assim como o reforço das forças armadas. "São ações emergenciais muito caras, então é preciso saber de onde vai sair o custeio disso", ponderou.

Para o secretário do Amazonas, Estado que foi palco de um massacre no complexo Penitenciário Anísio Jobim no primeiro dia do ano, apenas o plano não irá resolver a atual crise do sistema carcerário.

"O plano não esgota a discussão das causas determinantes dessas ocorrências à nível nacional. Esses conflitos não começaram em Manaus, já vinham ocorrendo em vários presídios. Fomos a primeira unidade da federação que teve uma rebelião grande, mas outras rebeliões já vinham ocorrendo, já estávamos nos preparando para isso, infelizmente foi maior do que prevíamos", disse.

O secretário considera que o problema da segurança no Brasil gira "quase totalmente em torno do tráfico internacional de entorpecentes" e é preciso reforçar as fronteiras, considerando as peculiaridades de cada estado. Ele considera que deveriam ser feitas mudanças na legislação para garantir recursos para a segurança dos estados. "Hoje a educação tem verba carimbada, a saúde também, mas a segurança não", lamentou.

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