Filho de juiz que anulou Carandiru vira assessor de Covas na Prefeitura

Em São Paulo

  • Eduardo Anizelli/Folhapress

    Guilherme Sartori é filho do desembargador Ivan Sartori (foto), que anulou a condenação de 74 policiais militares pelas mortes de 111 presos no massacre do Carandiru

    Guilherme Sartori é filho do desembargador Ivan Sartori (foto), que anulou a condenação de 74 policiais militares pelas mortes de 111 presos no massacre do Carandiru

O vice-prefeito Bruno Covas (PSDB) nomeou como assessor especial na Prefeitura de São Paulo um filho do desembargador Ivan Sartori, ex-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) que anulou, no ano passado, a condenação de 74 policiais militares pelas mortes de 111 presos no massacre do Carandiru, em 1992.

Guilherme Sartori atuará na Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais, comandada por Covas. Ele foi candidato a vereador pelo PHS na eleição de outubro, mas não conseguiu se eleger. O PHS foi um dos 13 partidos da coligação que elegeu a chapa João Doria e Bruno Covas.

Por meio de nota, a assessoria do vice-prefeito informou que a nomeação "aconteceu por critérios técnicos e não conta com impedimentos legais". Segundo a equipe de Covas, Sartori "é formado em administração de empresas pela Unicamp, com experiência na área de marketing e na administração pública".

Antes de se lançar candidato, Sartori, o filho, trabalhava como assessor na Assembleia Legislativa de São Paulo. Também já teve cargo no governo Geraldo Alckmin (PSDB), como coordenador de Programas para Juventude na Secretaria Estadual de Esportes, em 2014.

Ele entrou no governo paulista no lugar de Janaína Lima, que se elegeu vereadora pelo partido Novo e foi uma das porta-vozes "Vem Pra Rua", um dos movimentos que protestou nas ruas da capital pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Carandiru

Sartori, o pai, foi o relator do recurso dos PMs condenados pelo massacre do Carandiru na 4ª Câmara Criminal do TJ. Em setembro, ele votou pela anulação das sentenças e absolvição dos policiais. Segundo o desembargador, os agentes agiram em "legítima defesa".

A decisão da 4ª Câmara, que anulou mas não absolveu os PMs, provocou uma série de críticas de entidades de direitos humanos. O ex-presidente do TJ usou o Facebook para responder aos críticos e chegou a insinuar que as organizações e a imprensa recebem dinheiro do crime organizado.

Em dezembro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu investigação "para aferir eventual violação de deveres funcionais" pelo desembargador. Trinta entidades de direitos humanos, imprensa e pesquisa em Segurança Pública acionaram o órgão diante do posicionamento do magistrado no julgamento que resultou na anulação de júris dos 74 PMs.

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