'O controle das prisões está com os presos', diz diretor do Human Rights Watch

  • Avener Prado/Folhapress - 17.jan.2017

    Detentos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, são vistos nos telhados da unidade prisional

    Detentos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, são vistos nos telhados da unidade prisional

Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", o diretor executivo da Human Rights Watch, Ken Roth, aponta os problemas que levaram as prisões brasileiras à crise atual. Em sua avaliação, as autoridades hoje controlam apenas os muros dos centros de detenção.

Como o sr. avalia a crise no sistema prisional brasileiro?

Essa crise vem da superlotação que vivem as prisões e há duas razões para isso. A primeira é que poucas pessoas são liberadas enquanto aguardam julgamento. A outra é a guerra contra as drogas.

De que forma?

Há um número substancial de pessoas em prisão por posse não violenta de drogas. Se essas duas práticas fossem modificadas pelo Brasil, seria possível reduzir de forma radical o número de presos, a ponto de a segurança recuperar o controle sobre as prisões.

Hoje esse controle não existe?

Hoje, o controle das prisões foi dado aos prisioneiros, o que abriu espaço para esses massacres. Por causa da superlotação, as autoridades perderam o controle e entregaram a administração das prisões dentro dos muros para os presos. Nesse contexto que você tem uma guerra de gangues.

O sistema penitenciário brasileiro cumpre o papel de garantir segurança para a população?

Uma das consequências do controle das prisões pelos presos é que as cadeias se transformam em universidades do crime. Mesmo um jovem delinquente que poderia ser reabilitado pode acabar se formando nessa universidade. E isso não atende às necessidades de segurança do Brasil. 

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