Mais da metade dos médicos recém-formados é reprovada pelo Cremesp

São Paulo - Mais da metade dos médicos recém-formados no Estado de São Paulo em 2016 foi reprovada no exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). A aprovação, no entanto, não é exigida para o exercício da profissão.

De acordo com o Cremesp, de 2.677 formados em cursos de Medicina que prestaram o exame no ano passado, 1.511 (56,4%) foram reprovados, por acertar menos de 60% das 120 questões da prova.

O número representa uma piora de 8,3% no desempenho, em relação a 2015, quando o índice de reprovação foi de 48,1%. "Os resultados são preocupantes e mostram uma tendência na série histórica da avaliação", disse em nota à imprensa diretor do Cremesp e coordenador do exame, Bráulio Luna Filho.

Segundo o Cremesp, nas escolas privadas - que tradicionalmente têm maior porcentual de reprovação, a piora foi mais acentuada em comparação com o ano passado. Nas instituições públicas, a reprovação subiu de 26,4% para 37,8%. Já nas instituições privadas, a reprovação foi de 58,8% em 2015 e subiu para 66,3% em 2016.

Nos últimos 10 anos, exceto 2015, o índice de reprovação ficou acima de 50%. "Com isso, mais da metade dos novos médicos entra no mercado de trabalho sem ter conhecimentos básicos de situações cotidianas do atendimento médico", disse Luna Filho.

De 46 escolas médicas do Estado, 30 foram avaliadas. As outras foram abertas há menos de 6 anos e não formaram turmas.

Muitos dos recém-formados, de acordo com o Cremesp demonstraram não saber interpretar exames de imagem para diagnosticar e administrar a conduta terapêutica adequada a casos médicos básicos e problemas de saúde frequentes, como crises hipertensivas e doenças respiratórias.

Dos recém-formados avaliados no exame, 80% não souberam interpretar um exame de radiografia e erraram a conduta terapêutica de paciente idoso. Cerca de 78% não souberam interpretar o tipo de pesquisa científica e relevância para indicação de novos tratamentos. Segundo o Cremesp, ainda, 76% não souberam indicar qual medicação antipsicótica está associada a maior ganho de peso. Chegou a 70% a parcela dos recém-formados que não souberam indicar a conduta adequada em paciente com crise hipertensiva.

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