Cerco à Vila Madalena após assalto assusta moradores

Um helicóptero em voos rasantes, motocicletas e carros da Polícia Militar cercando ruas, soldados fazendo buscas em casas e medo entre moradores. Às vésperas do carnaval, o assalto à casa de dois idosos na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, paralisou o bairro que se divide entre pacato e arborizado de classe média, apinhado de guaritas de guardas noturnos, e o badalado centro da boemia da capital paulista.

Por volta das 14h30 desta quinta-feira, 9, três homens, dois portando facas (uma delas enferrujada) e um armado com um revólver calibre 38, entraram na casa de um casal de japoneses - ambos de cerca de 80 anos, segundo a PM - para praticar o assalto. Os idosos foram rendidos e os criminosos reviraram o sobrado, da Rua Hermes Fontes, em busca de dinheiro e joias.

Segundo testemunhas, o filho do casal, um jornalista, não estaria em casa na hora do crime, mas chegou no momento em que o trio estava lá. Ele teria tido tempo de chamar a polícia.

Os policiais que atenderam o caso disseram ter chegado à residência no momento em que dois dos assaltantes estavam saindo. Carregavam duas bolsas com os objetos da família. Eles tentaram fugir. "Deu para ouvir o barulho de dois tiros", disse o vigia de uma das ruas ao redor da Hermes Fontes. A polícia diz que não houve troca de tiros - ninguém, nem as vítimas, ficaram feridas.

O batalhão de policiais que se dirigiu ao bairro, e o helicóptero, foram deslocados porque havia a informação de um terceiro criminoso, que não foi visto pelos primeiros policiais que fizeram a prisão dos dois suspeitos. Assim, as ruas foram cercadas e os policiais passaram a bater em portas e checar se o terceiro poderia estar escondido em alguma das casas. Até as 18h30, entretanto, ele não havia sido encontrado.

O helicóptero foi embora pouco depois das 16h. Depois desse horário, só três motociclistas da PM permaneceram na rua, já na esquina com a Deputado Lacerda Franco. Mas muitos dos vizinhos, parte deles também idosos, ainda estavam na porta das casas, conversando entre si sobre o crime. "Teve um outro assalto aqui perto no domingo", disse uma aposentada. "A polícia também prendeu o cara que tinha entrado na casa. A gente fica assustado, né? Ainda mais porque está chegando o carnaval, isso aqui fica lotado, e sempre tem gente que aproveita para entrar nas casas vazias", afirmou.

Oficiais da PM que participaram da ocorrência confirmaram o crime do fim de semana e a prisão do suspeito.

Flagrante

O assalto foi registrado no 14.º Distrito Policial (Pinheiros). Na delegacia, a senhora japonesa vítima do crime, visivelmente abalada, era auxiliada pelo filho, que educadamente pediu privacidade e disse que não falaria com a imprensa.

Os policiais relataram uma sequência de fatos um pouco diferente da dada pelos moradores da Hermes Fontes. Os vizinhos e um segurança da rua disseram que o trio pulou o muro. Ainda colhendo as informações do caso, os policiais disseram que os assaltantes chegaram a tocar a campainha e renderam o casal ao serem atendidos.

Os rapazes presos são Ângelo Berato Santana e Alef Marques da Silva, ambos de 22 anos. Silva teria dito, ao ser questionado pelos policiais, que já havia sido preso pelo crime de roubo. Ele teria invadido um prédio para praticar um assalto. As vítimas também eram orientais, segundo os policiais disseram.

Nem Santana nem Silva tinham advogados na delegacia para apresentar a versão deles dos fatos à reportagem.

Na Rua Ministro Costa e Silva, paralela à Hermes Fontes, vizinhos relataram o caso de um casal de chineses, também de idade avançada, que tiveram a casa assaltada três vezes no ano passado. O imóvel deles está à venda.

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