'Por fora zero', afirma FHC a Moro sobre doações a fundação que preside

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) depôs nesta quinta-feira, 9, na Operação Lava Jato, como testemunha de defesa de Paulo Okamotto, réu em ação penal por crime de lavagem de dinheiro. A audiência foi presidida pelo juiz federal Sérgio Moro.

Presidente do Instituto Lula, Okamotto é acusado de ter usado recursos repassados pela empreiteira OAS para armazenar bens que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou durante os oito anos em que ocupou o Palácio do Planalto.

FHC depôs por vídeoconferência. Instalado em uma sala da Justiça Federal em São Paulo ele respondeu perguntas diretamente do gabinete do juiz Sérgio Moro, que estava em seu gabinete em Curitiba, base da Lava Jato.

Doações

Fernando Henrique Cardoso afirmou a Moro que a Fundação FHC, que criou depois que deixou o Palácio do Planalto, jamais recebeu dinheiro por fora. "Não, não, não, absolutamente impossível", disse o tucano.

Moro pediu desculpas a FHC ao fazer uma indagação final. "Mas talvez tenha alguma relevância. Para manutenção do Instituto (Fundação FHC) são recebidas doações não registradas, por fora, contribuições escondidas?"

"Não, não, não. Absolutamente impossível, absolutamente impossível", respondeu FHC.

"Eu, pessoalmente, não saberia dizer ao sr. quem deu quanto e quando", seguiu FHC. "Está tudo registrado, tem publicação, Conselho Fiscal vai lá. Eles sabem mais, tem o conselho a quem prestamos contas. Nada, nada por fora, zero, não existe tal hipótese."

O juiz quis saber, ainda, se a fonte de renda da FundaçãoIFHC tem lastro na Lei Rouanet - incentivos a empresas que oferecem patrocínios culturais.

"Não, não, não, nem todas. O Instituto tem as seguintes fontes de renda: doações, continuam, tem gente que doa até hoje, patrocínios e, muitas vezes, tem busca de recursos através da Lei Rouanet para fins específicos."

FHC afirmou que 'nunca usou cartão corporativo, nunca usou uma passagem (aérea) com verba do Instituto para viagem'.

Ele disse que separa sua vida pessoal da profissional e institucional.

O tucano foi questionado por um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins. "O sr. presidente declarou que estas doações recebidas para constituição e manutenção do Instituto (IFHC) foram devidamente registradas? Foi isso que entendi, não é?"

"Sim, foram registradas", disse o ex-presidente.

Petrobras

O defensor de Lula perguntou a FHC sobre a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró (Internacional) segundo o qual o cartel e o esquema de propinas foi montado na estatal no período em que ele, Fernando Henrique, ocupava o Palácio do Planalto.

"Não conheço esse senhor. Nunca ouvi falar dele a não ser agora, não tenho a menor ideia", disse FHC.

"O presidente da República não pode saber o que está ocorrendo no convívio das pessoas, é um procedimento incorreto de pessoas que deve ser combatido. Agora, nunca ouvi falar desse senhor a não ser mais recentemente por razões publicas. Não posso dizer nem que sim, nem que não. Se houve ou não houve, se houve tem que ser punido."

FHC disse também que não conhece ninguém da OAS, que fez parte do grande cartel de propinas na Petrobras, segundo a Lava Jato.

"O sr. tomou conhecimento da existência desse suposto cartel enquanto era presidente?", perguntou Zanin Martins.

"Não, não. Nunca chegou até mim. Eu nunca soube, eu não conheço as pessoas da OAS, nunca vi, não me lembro de ter visto. O que chegou ao meu conhecimento providências cabíveis foram tomadas em casos individuais. Eram alegações. Nunca houve afirmação efetiva de cartelização ou coisa que o valha. Pode ter havido, o presidente da República não sabe de tudo o que acontece. Pode ter havido, agora não teve a minha aprovação."

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