Delator não relatou pedido de Aécio por caixa 2 em depoimento, diz PSDB

Breno Pires e Rafael Moraes Moura

Em Brasília

  • Nacho Doce/Reuters

    Doações a Aécio Neves vêm sendo citadas por depoentes na ação em que o TSE apura irregularidades na chapa Dilma/Temer

    Doações a Aécio Neves vêm sendo citadas por depoentes na ação em que o TSE apura irregularidades na chapa Dilma/Temer

A assessoria jurídica do PSDB enviou uma nota à imprensa em que critica "versões enganosas divulgadas sobre o conteúdo do depoimento de Benedicto Júnior", ex-presidente da construtora Norberto Odebrecht, prestado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quinta-feira (2), no âmbito da ação contra a chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014 - que pode levar à cassação do presidente Temer e à inelegibilidade da ex-presidente petista.

"Em nenhum momento o depoente relatou ter recebido pedido do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, para fazer doação via 'Caixa 2'", afirmam os advogados José Eduardo Rangel de Alckmin e Flavio Henrique Costa Pereira, que acompanharam presencialmente o depoimento de Benedicto Júnior, o "BJ", no Rio de Janeiro, na quinta-feira, representando o PSDB, partido que protocolou esta ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) no TSE.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta sexta-feira (3) que Benedicto Júnior, no depoimento, disse ter repassado, na campanha de 2014, R$ 9 milhões a políticos do PSDB e do PP e ao marqueteiro tucano a pedido do então candidato à Presidência Aécio Neves - presidente nacional da sigla. Segundo Benedicto, a doação foi feita via caixa 2.

Para os advogados do PSDB, "é lamentável que o pretenso vazamento de conteúdos sigilosos se transforme em tentativa de adulterar as declarações efetivamente prestadas em juízo pelo depoente".

Além de Benedicto Júnior, também prestou depoimento ao TSE, nesta quinta, no Rio de Janeiro, o ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis. Na quarta-feira (1º), o ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, depôs na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), em Curitiba.

A nota também cita o depoimento de Marcelo Odebrecht. "Ressalte-se, ainda, que, como já divulgado, em seu depoimento, prestado na véspera, o empresário Marcelo Odebrechet não mencionou uma única doação da empresa em favor da campanha presidencial de Aécio Neves que tenha sido originada de 'Caixa 2'", diz.

O vazamento de informações dos advogados também irritou ao ministro Herman Benjamin, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, relator da ação. Herman fez advertência dura a advogados sobre os vazamentos. No entanto, disse que não iria tomar atitudes drásticas, como proibir a entrada de aparelhos eletrônicos na sala.

O conteúdo do depoimento de Marcelo Odebrecht e dos outros delatores da empresa está sob sigilo. A versão oficial só será divulgada pelo TSE após o STF (Supremo Tribunal Federal) liberar o conteúdo das 77 delações de ex-executivos da Odebrecht, homologadas pela Justiça em janeiro. A ação pode levar à perda de mandato do presidente Michel Temer (PMDB).

Depoimentos

A colheita de depoimentos de delatores da Odebrecht, determinada pelo relator Herman Benjamin, continua na próxima semana. Na segunda-feira (6), às 17h, na sede do TSE, em Brasília, serão ouvidos os ex-diretores de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho e Alexandrino Alencar, bem como Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, que atuava no departamento de propinas da Odebrecht.

Na quarta-feira (8), na sede do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, na capital paulista, prestarão depoimento Luiz Eduardo da Rocha Soares, que também integrava o departamento de propinas da empreiteira, e Beckembauer Rivelino de Alencar Braga, sócio-diretor da Gráfica VTPB, que prestou serviços para a campanha de Dilma e Temer em 2014.

A VTPB foi uma das quatro gráficas em que a Polícia Federal realizou buscas e apreensões no fim de dezembro. O relatório da PF revelou que "laranjas" foram usados para desvio de recursos que deveriam ter sido destinados para a campanha da chapa Dilma-Temer em 2014.

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