Operação Lava Jato

'Caixa 2 é recorrente, mas deve ser dissociado de outros crimes', afirma Cardozo

Valmar Hupsel Filho

Em São Paulo

  • Felipe Rau/Estadão Conteúdo

    Cardozo depôs como testemunha de defesa do também ex-ministro Antonio Palocci

    Cardozo depôs como testemunha de defesa do também ex-ministro Antonio Palocci

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse na manhã desta segunda-feira (13) que a prática do caixa 2 é recorrente e histórica do Brasil, mas deve ser dissociada de outros crimes, como a corrupção e a lavagem de dinheiro.

"A corrupção e a caixa 2 são sistêmicas no Brasil, mas nem sempre o caixa 2 é uma forma de agasalhar recursos de corrupção. São situações que devem ser analisadas com muito cuidado na hora de se avaliar os fatos e se emitir julgamento", disse Cardozo ao sair do depoimento que prestou, em São Paulo, ao juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato na primeira instância.

Cardozo depôs como testemunha de defesa do também ex-ministro Antonio Palocci, acusado no processo de favorecer os interesses da construtora Odebrecht junto ao governo federal na contratação de sondas exploratórias do pré-sal com a Petrobras. Nas planilhas de pagamento de propinas da Odebrecht, Palocci é identificado pelo codinome "Italiano".

Cardozo disse que prestou um rápido depoimento, feito por videoconferência. Em cerca de 20 minutos, segundo ele, respondeu perguntas dos advogados de defesa e apenas uma, no final, do juiz Sérgio Moro.

Políticos tentam novamente a anistia ao caixa 2

Sem falar especificamente sobre o conteúdo dos questionamentos "para não entrar no processo como testemunha e sair como réu", Cardozo disse que, mesmo sem ter participado da coordenação da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, tinha ciência da orientação dela para não aceitar doações de origem duvidosa.

"Nós já estávamos no bojo de um processo difícil criminal motivado pelas investigações da Lava Jato. A orientação era muito clara e, embora não tenha participado diretamente da campanha, eu tinha ciência da postura da candidata de, na dúvida de que houvesse legalidade ou não houvesse legalidade não receber contribuição", disse.

O ex-ministro foi o segundo a depor em uma manhã na qual também estão agendados os depoimentos do empreiteiro Emílio Odebrecht, patriarca do grupo empresarial que leva seu sobrenome, o atual presidente da construtora, Newton de Souza e os ex-executivos Pedro Novis e Marcelo Faria.

Outras duas pessoas estão arroladas como testemunhas de defesa de Palocci e devem prestar depoimento ainda nesta segunda-feira: o ex-assessor de Palloci, Bralislav Kontic e o vice-governador do Rio, Francisco Dorneles.

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