Jockey faz eleição, mas criar parque é consenso

Adriana Ferraz

São Paulo

Os sócios do Jockey Club de São Paulo escolhem nesta terça-feira, 14, seu próximo presidente com ao menos uma certeza. Seja qual for a chapa vencedora, parte da área de 600 mil m² do terreno da Marginal do Pinheiros, na zona sul, deve virar um parque público.

Tanto a situação como a oposição concordam que negociar com a Prefeitura uma desapropriação parcial em troca de um abatimento na dívida estimada pela atual gestão em R$ 100 milhões de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é uma das soluções para recuperar o clube e alavancar de novo o turfe. São 460 pessoas aptas a escolher entre os empresários Ricardo Vidigal, atual vice-presidente, e Benjamin Steinbruch, que tenta quebrar o domínio da atual administração, há seis anos no poder.

Apesar de ocuparem posições opostas, há muito em comum nos discursos de ambos, especialmente no que diz respeito à disposição de abrir as portas do Jockey à população. Isso em troca de uma solução definitiva para a crise financeira do clube.

O prefeito João Doria (PSDB) busca um acordo para viabilizar, além do parque, a construção de torres residenciais e a instalação de um museu de biodiversidade sob o comando da Universidade de São Paulo (USP) na área em que as duas chapas e a própria Prefeitura afirmam haver uma discussão sobre a abrangência do tombamento. A dúvida, no entanto, não alcança mais de 5% da área total do terreno.

"Teoricamente, uma área de 25 mil metros quadrados aproximadamente, perto da Ponte Cidade Jardim, é considerada 'registrada', não tombada, o que poderia render um debate a respeito nos órgãos do patrimônio público. Achamos válido. O Jockey precisa otimizar seus espaços dentro da lei. O nosso maior problema hoje é a dívida de IPTU. Mas vale dizer que em 2011, quando assumimos, ela era de R$ 300 milhões. Atribuo essa redução ao nosso trabalho e vamos fazer mais", disse Vidigal, confiante na vitória.

Do outro lado, Steinbruch diz que a atual administração dilapidou o patrimônio do Jockey, deixou o caixa zerado a ponto de atrasar os salários dos funcionários por cinco meses seguidos (a situação foi parar na Justiça do Trabalho) e ainda reduziu o número de dias com corrida – hoje, elas ocorrem só uma ou duas vezes por semana. "Queremos um clube novo, independente. Vamos modernizar a administração, cortar gastos e trabalhar para aumentar a receita. A proposta do prefeito atende a nossas necessidades, mas antes de qualquer coisa precisamos checar qual é realmente a nossa dívida", afirma.

Após uma mudança no estatuto do clube, esta será a última eleição dividida entre duas chapas. Já no próximo pleito os sócios votarão diretamente nos 12 conselheiros. A ideia é renovar 1/3 do grupo todos os anos, com eleições anuais.

Chácara. Durante a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), o clube negociou com a Prefeitura a desapropriação da Chácara do Jockey, área de 143,5 mil metros quadrados que virou parque na região do Butantã, zona oeste da cidade. O negócio, porém, foi parar na Justiça em função do valor pago pelo Município.

A atual administração do clube calculou em R$ 177 milhões o valor da área, mas recebeu R$ 64 milhões pela desapropriação. Caso vença a ação, o Jockey poderá obter mais R$ 113 milhões, o que, em tese, o faria credor e não mais devedor do Município – único fato que pode mudar a disposição dos sócios em negociar com Doria. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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